quarta-feira, 26 de julho de 2017

Androides Sonham com Ovelhas Elétricas?, de Philip K. Dick

Androides Sonham Com Ovelhas Elétricas?Autor: Philip K. Dick
Título original: Do Androids Dream os Electric Sheep?
Editora: Aleph
É bom?: ★★★★
Páginas: 272

Sinopse: Rick Deckard é um caçador de recompensas. Ao contrário da maioria da população que sobreviveu à guerra atômica, não emigrou para as colônias interplanetárias após a devastação da Terra, permanecendo numa San Francisco decadente e coberta pela poeira radioativa que dizimou inúmeras espécies de animais e plantas. Na tentativa de trazer algum alento e sentido à sua existência, Deckard busca melhorar seu padrão de vida até que finalmente consiga substituir sua ovelha de estimação elétrica por um animal verdadeiro - um sonho de consumo que vai além de sua condição financeira. Um novo trabalho parece ser o ponto de virada para Rick: perseguir seis androides fugitivos e aposentá-los. Mas suas convicções podem mudar quando percebe que a linha que separa o real do fabricado não é mais tão nítida como ele acreditava. Em 'Androides Sonham com Ovelhas Elétricas?' Philip K. Dick cria uma atmosfera sombria e perturbadora para contar uma história impressionante, e, claro, abordar questões filosóficas profundas sobre a natureza da vida, da religião, da tecnologia e da própria condição humana.


Eu me lembro de ter assistido Blade Runner quando era criança, na casa do meu tio, e de ter ficado absolutamente encantada com o filme. Mas uma coisa de que não me lembrava até recentemente era a história de Blade Runner - minha memória infantil não foi longe o suficiente para saber sobre o que o filme era. Mas quando descobri que o filme havia sido inspirado em um livro, corri para lê-lo.

Antes de tudo, eu li a edição da editora Aleph, que tem alguns extras no final da edição - e eu li os extras antes de começar o livro. Para quem ainda não começou o livro, recomendo ler a entrevista com o autor e o ensaio analisando o livro antes de começar o livro propriamente dito, pois assim você vai ter uma ideia melhor do que está prestes a ler. Começar esse livro sem saber nada sobre ele pode e vai te causar muita confusão mental.

Enfim, eu comecei a ler este livro com as expectativas no teto. E isso foi um erro...

 
 
 

O livro conta a história de Rick Deckard, um ex-policial que atualmente é um caçador de recompensas. Ele é contratado periodicamente para ir atrás de alguns androides que se rebelaram e cometeram crimes. Atualmente os androides estão cada vez mais parecidos com seres humanos, e para que Deckard não mate um humano por engano foi desenvolvido um teste de empatia no qual supostamente todos os androides falham.

Tudo começa num dia como qualquer outro, quando Deckard acorda ao lado de sua esposa maníaca depressiva, Iran. Logo no primeiro capítulo já descobrimos várias coisas sobre o mundo: há uma religião baseada num messias que prega a empatia - o mercerismo -, os animais são parte importante da religião e ter um animal elétrico é uma vergonha - e nosso protagonista é o infeliz dono de uma ovelha elétrica. Ele luta durante o livro todo para mudar isso e comprar um animal real.

Depois de uma conversa deprimente com a esposa e de passar vergonha com um vizinho, Deckard recebe a quase impossível missão me caçar e "aposentar" seis androides de última geração que mataram pessoas para fugir de Marte. O livro então segue Deckard durante um dia de sua vida enquanto ele caça os androides.



O livro começou bem, mas foi decaindo do meio para o final. Na verdade, eu acredito que a ideia do livro era muito promissora, mas foi extremamente mal executada. O autor deu pouco desenvolvimento para várias coisas que eu vi como cruciais para o worldbuilding, como explicar melhor a religião do mercerismo ou explicar como exatamente a terra ficou do jeito que ficou. Nada sabemos sobre a Guerra Mundial Terminus e o autor usa duas páginas do livro para falar um pouco da poeira que assolou o mundo e matou quase todos os animais. Uma das coisas mais interessantes desse mundo para mim era o teste de empatia, que mesmo sendo usado várias vezes durante o livro é subdesenvolvido.

Fora o Deckard e uma personagem secundária, o Isidore, nenhum dos personagens é desenvolvido. E ainda coloco um pouco de dúvida na personalidade nada tridimensional do Deckard. Por fim, achei o livro enfadonho do meio para o final por que nada de novo acontece: é apenas uma sucessão de uma "caça" a androides sem ação nenhuma.



Mas eu não odiei o livro. Pelo contrário, eu gostei bastante do início e ainda me peguei pensando nas questões filosóficas que são abordadas: o que é consciência? Como a empatia funciona? Androides sonham com ovelhas elétricas? Essa pergunta nunca é feita no livro, mas é possível entender seu significado ao lê-lo. Um título genial, na minha opinião.

Eu queria muito ter gostado desse livro, mas não  foi dessa vez. Eu acho que não era o momento certo, ou talvez simplesmente este não seja meu tipo de livro. Quem sabe na próxima? Ainda tenho curiosidade de ler O Homem no Castelo Alto.

Androides Sonham Com Ovelhas Elétricas? Um Reflexo na Escuridão Fluam, minhas lágrimas, disse o policial Realidades Adaptadas
Os Três Estigmas de Palmer Eldritch O Homem do Castelo Alto Ubik Valis

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