sábado, 28 de novembro de 2015

Desafio de Leitura 2015 - Novembro


Olá, seus lindes! Tudo bom com vocês?

Ah, o mês de Novembro. Ontem foi aniversário do meu pai e tudo seria mais fácil se ele gostasse de livros, mas infelizmente vou ter que dar um jeito de dar um presente mais criativo para ele (sim, ainda não comprei nada ;-;). Estou aceitando sugestões, por favor, comentem (mas nada que ultrapasse meu orçamento de R$2).

Como vocês podem observar se olharem vossos calendários, O ANO TÁ QUASE ACABANDO GENTE NEM ACREDITO 2014 FOI ONTEM. Eu já estou preparando minha lista de metas para 2016 (soon to be revealed), bem diferente da lista de metas de 2015, que eu já cumpri em Agosto.

Como sempre, vamos falar dos LIVROS LIDOS NESSE MÊS, YAY!

O Pequeno Príncipe O Espadachim de Carvão Agência de Investigações Holísticas Dirk Gently Édipo Rei
Treze à Mesa Assassinato no Beco Os Elefantes Não Esquecem A Fúria dos Reis
Kick-Ass #1 Kick-Ass #2 Kick-Ass #3 Kick-Ass #4
Kick-Ass #5 Kick-Ass #6 Kick-Ass #7 Kick-Ass #8

Eu li 16 "livros" nesse mês. Daí você pensa "caramba, hein, Nath, leu pacas, nossas, que inveja". Aí é que você se engana, caro leitor. Desses 16 livros que eu li, nada menos que a metade (8) deles eram edições de aprox. 30 páginas do primeiro arco da história em quadrinhos Kick-Ass! Eu já tinha lido alguns quadrinhos perdidos de vários autores, desde coisas de super-heróis até graphic novels, mas foi a primeira vez que li de verdade em sequência. Eu gostei bastante, mas não vou me alongar muito aqui por que pretendo fazer uma resenha sobre os quadrinhos e o filme *música de suspense*. Talvez você conheça o filme que foi feito inspirado nesses quadrinhos? É bem famoso e tals.

Também reli nada mais do que quatro (4) livro esse mês. E, todos eles, extremamente curtos. Reli O Pequeno Príncipe numa madrugada insone - qual delas, não sei dizer, são tantas - e eu sempre choro com esse livro, que ódio. Reli três (3) livros da Agatha Christie, Assassinato no Beco, Treze à Mesa e Os Elefantes não Esquecem. Os três são ótimos livros de detetive, são edição de bolso com a letra gigante e o maior deles tem 250 páginas. Rapidinho de ler e muito divertido.

Li Édipo Rei, uma das mais famosas tragédias gregas. Li para a faculdade, para fazer uma prova de Estudo dos Clássicos. Gostei do livro, mas não é tudo aquilo que eu esperava, Fiz um resumo bem detalhado do livro e talvez eu poste, igual fiz com Jonathan Strange & Mr. Norrell. Édipo Rei é bem curtinho, li o e-book com pouco mais de 60 páginas numa madrugada insone - qual delas, não sei dizer, são tantas...

Livros propriamente ditos, sem ser releitura e com mais de 200 páginas, foram apenas três. Li O Espadachim de Carvão (resenha em breve) e gostei bastante. É um livro de fantasia nacional, já conhecia o autor pelos podcasts dele e foi uma grande surpresa. Li também um livro do Douglas Adams, aquele lindo, que era inédito no Brasil: Agência de Investigações Holísticas Dirk Gently. AMEI O LIVRO e pretendo fazer uma vídeo-resenha dele, a primeira do blog *música de suspense*.

Por último, mas não menos importante, li A FÚRIA DOS FUCKING REIS, do Martin, aquele velho safado que não escreve os livros rápido o suficiente. Vou começar Tormenta de Espadas HOJE MESMO e espero que esse terceiro livro seja tão bom quanto o segundo u.u
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Gente, vocês viram o trailer de Capitão América 3 - Guerra Civil? OMG EU TO MORRENDO E ATÉ CHOREI ALGUÉM ME ABRAÇA POR FAVOR ;-;

(desculpa, eu shippo Steve e Bucky :c)

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Um Motim no Tempo, de James Dashner

Um Motim No TempoAutor: James Dashner
Título original: A Mutiny in Time
Editora: Seguinte
É bom?: ★★★★
Páginas: 248

Sinopse: 
Furacões, terremotos e outros desastres naturais estão destruindo cidades, estados e países inteiros. E a organização SQ, apesar de ser responsável por controlar o planeta, parece não se esforçar para evitar a chegada do cataclismo que acabaria de vez com toda a humanidade. 
Dak Smyth assiste a tudo isso de dentro de casa, fazendo aquilo de que mais gosta: estudar história e comer queijo. Até o dia em que seus pais saem para uma viagem curta e ele e sua melhor amiga Sera Froste, uma garota totalmente fascinada por física quântica, resolvem matar a curiosidade e se aventurar no laboratório de ciências dos pais dele. Lá, encontram nada mais nada menos que um dispositivo que, assim que for finalizado, possibilitará a viagem no tempo - o Anel do Infinito. Sera, craque da matemática, consegue preencher a última lacuna nos cálculos e, quando os pais de Dak retornam, o mecanismo está pronto para ser usado. Na primeira tentativa, porém, os dois adultos desaparecem. Quando tudo parece estar perdido, Dak e Sera são recrutados pelos Guardiões da História, uma sociedade secreta criada há muitos séculos. Eles então descobrem que os agentes da SQ estavam alterando eventos históricos importantes para conseguir mais poder para a organização, gerando as Grandes Fraturas, que em breve levarão ao fim do mundo.


Acho bom começar essa resenha afirmando que este livro não merece, de jeito nenhum, as cinco estrelas que estão dando a ele por aí. 

Um Motim no Tempo tinha tudo para ser um livro incrível. Ele tem um governo totalitário tirando direitos, alienando pessoas e acabando com o clima, tem uma pegada de aventura elevada e, acima de tudo, contém viajem no tempo.

Bom, antes de prosseguir lendo essa resenha, saiba que meu tema favorito é viajem no tempo. Toda vez que me dizem que um livro/filme/seriado/anime/mangá aborda o tema, eu automaticamente quero ler/assistir. O tema me fascina. No entanto acho que, durante toda minha vida, só vi duas obras que abordaram o tema de forma correta, com autores que pesquisaram sobre o assunto. Dois anos atrás quebrei a cara com Tempest, que ganhou o prêmio de livro mais mal pesquisado do ano passado segundo minha humilde opinião. Um Motim no Tempo não fica muito na frente de Tempest, e pretendo explicar por que.

Quando comprei veio com essa pulseira. Troquei o livro no skoob mas tenho a pulseira até hoje :p
O livro conta a história de Dak e Sera, dois amigos que tem uma estranha fixação por história e ciência, respectivamente. Uma fixação ABSURDA. Olha, eu adoro literatura e, além de ler muito, pesquiso sobre vários autores, gosto de ler sobre gêneros literários e coisa e tal, mas não tenho uma fixação absurda pelo tema. Eu só gosto, não sou doente por isso. Dak e Sera conhecem mais sobre história e ciências do que meus professores da escola, e se isso não soa artificial para você, não sei o que mais soaria.

Para você ter uma ideia do grau de absurdês dos personagens, pense na seguinte cena: um casal adulto, duas pessoas que são completamente estudadas e especializadas em física quântica dedicaram os últimos anos de sua vida a pesquisar, desenvolver e construir uma máquina capaz de viajar no espaço-tempo. No entanto, mesmo passando muitas horas por dia trabalhando nisso, eles ainda não conseguiram achar uma resposta para um problema. Mas então uma garotinha chega no laboratório deles, faz um cálculos complexos como se estivesse embaralhando cartas e BUM!, ela conseguiu fazer sozinha e em dois dias o que dois adultos estudados não conseguiram em ANOS! Super normal isso =D

Fanart dos personagens principais: Sera, Riq e Dak.
Bom, legal, vamos assumir que a resposta estava na cara deles e eles não viram por que se distraíram (sei). Sera consegue concluir a máquina do tempo e, depois de algumas cenas, um pessoal muito louco surge falando que precisam da ajuda deles para consertar as Fraturas, que são coisas que aconteceram no passado que não deviam ter acontecido e precisam ser consertadas. Legal, maneiro, parece que agora o negócio vai esquentar. Mas então o autor decide estragar tudo criando os ajudantes deles no passado! Calma, vou explicar melhor: são geralmente um grupo de pessoas localizado no passado (MUITO no passado) que tem como missão ajudar eles a impedir a Fratura antes que ela aconteça... mas pera, ANTES? Como eles sabiam que a Fratura ia acontecer? E se eles sabiam, por que não consertar as coisas logo de uma vez eles mesmo, já que estão lá só esperando alguém voltar pro passado? Se isso faz sentido para você, me mande um recado no skoob explicando, por que até agora eu não entendi.

Ao que me parece, tem um jogo do livro. Nem vou me dar ao trabalho de procurar.
Bom, eles viajam no tempo e essa é a única parte legal do livro. Eles vão parar nas naus de Colombo e tem que impedir que o mesmo seja morto e dois irmãos absolutamente cruéis descubram a América. Não tem coisas nóias, os conhecimentos de história/ciências (e de linguas de outro personagem) são abafados pela aventura que se segue. Tem ação, traição, suspense e é realmente uma parte legal. Sinceramente, foi a única coisa que salvou o livro de não ter nenhuma estrela na minha classificação.

Bom, eu não gostei do livro e não pretendo ler as continuações. E, sinceramente, não recomendo. Eu tinha até pensado em ler outros livros do James Dashner, como Maze Runner (pois tinha gostado do filme), que cheguei até a comprar, mas cancelei a compra depois que meu amigo disse que tinha se decepcionado demais com a história. Acho que James Dashner não é um autor para mim. Mas se você quiser ler o livro, vá em frente. Talvez você goste. Afinal, gosto não se discute :3

(só não diga que não avisei, ok?)

Os livros da série, em ordem: 

Um Motim No Tempo Dividir e Conquistar O Alçapão A Maldição dos Ancestrais
A Caverna das Maravilhas  Atrás das Linhas Inimigas O Império de Ferro

domingo, 15 de novembro de 2015

Matutando #12 - Sobre aborto e tals


[TW: Estupro, violência, pobreza, suicídio, depressão, abandono, morte]

Olá, pessoas lindas, tudo bom?

Talvez vocês tenham reparado que mudei o logo dessa coluna. Bom, fiz isso por motivos de que eu quis mesmo, tava enjoada do antigo e gosto de hashtags. 

Ultimamente, o feminismo está em alta nas redes sociais. Desde que o tema da redação do ENEM desse ano foi a persistência da violência contra a mulher no Brasil, parece que uma luzinha se acendeu na cabeça de quem até então ignorava essa questão. Muita gente diferente tem muitas coisas a dizer sobre o feminismo e suas pautas.

Eu sou feminista. Sou contra a misandria e contra as TERFS (as feministas que acham que mulheres trans não são mulheres de verdade e que homens trans devem ser "recuperados"). Eu sou a favor do feminismo que engloba todas as mulheres: de todas as cores, ricas ou pobres, gordas ou magras, portadoras de deficiência física/mental, trans ou cis,  de qualquer religião, sem religião, heterossexuais, homossexuais ou de qualquer outra sexualidade. Sou a favor de todas as mulheres. 

Mas, sinceramente, não vim aqui falar sobre feminismo (por enquanto, pretendo mais para a frente). Hoje eu quero recapitular uma conversa que tive com a minha mãe há pouco mais de um ano sobre aborto.


Não lembro o dia exato que tive essa conversa, mas com certeza faz mais de um ano. Eu estava com meus pais, jantando, estávamos conversando sobre algo que sinceramente não lembro o que era e de repente o assunto aborto veio à tona. Não costumo - aliás, evito - discutir questões sociais e políticas com meus pais, pois além de eles nunca ouvirem o que eu tenho a dizer já assumem que estou errada e sou muito extremista. Okay. Enfim, nesse dia eu decidi falar que era a favor do aborto em qualquer caso e minha mãe não gostou nada disso.

Então, eu disse:

- Eu tenho 17 anos, trabalho, estudo, faço curso técnico, tenho muitas coisas para fazer, tenho meus sonhos, ainda pretendo entrar na faculdade, ser professora, escrever meus livros. Você acha justo que, se eu engravidasse semana que vem, eu fosse obrigada a desistir de todos os meus sonhos e ambições para cuidar de um bebê que eu não planejei, sendo muito jovem, sem formação acadêmica e trabalhando com vocês?

Tudo isso no meu contexto do ano passado. Bem louco como o discurso seria diferente agora. Minha mãe respondeu:

- Sim! Por que a criança não teria culpa por você não ter se prevenido na hora de ter relações sexuais.

Isso me chocou. Muito. Ter minha mãe falando na minha cara que eu deveria deixar minha vida de lado para cuidar de uma criança. Hoje eu tenho argumentos para falar em como minha mãe estava errada em dizer algo assim.

Hoje, tenho 18 anos. Trabalho com meus pais, cinco horas por dia, faço faculdade de Letras em outra cidade, vou para lá de ônibus. Tenho muitos trabalhos para fazer (aliás, devia estar fazendo um plano de aula enquanto escrevo esse post. Detalhes) e muitas provas para estudar. Ainda tento escrever meus livros. Tenho esse blog que mantenho muito mal, pois quase nunca consigo realmente escrever aqui. 

E se eu engravidasse semana que vem?


(Vamos ignorar o fato de que essa criança imaginária teria um pai, por que nem sei imaginar o quanto isso ia desregular minha vida).

Eu não conseguiria conciliar isso tudo que está dois parágrafos acima com um filho. Não conseguiria trabalhar com meus pais, pois não teria ninguém para cuidar do meu filho durante essas horas. Até conseguiria fazer faculdade, mas meus pais teriam que cuidar do meu filho durante a noite, o que eu não acho justo. Imagine eu, grávida, andando meia hora para ir e outra meia hora para voltar de outra cidade de ônibus, todos os dias. Imagine eu, que sou extremamente privilegiada perto de outras mulheres que poderiam passar pela mesma situação, tendo que desistir da minha faculdade para poder cuidar do meu filho. Imagine eu, com 18 anos, tendo que cuidar de uma criança, sendo que eu ainda me considero uma.

Eu sempre parto do seguinte princípio: se eu, ou qualquer menina mais jovem que eu (como há casos de garotas que engravidam com 13, 14 anos) fossemos a um orfanato e disséssemos que queríamos adotar uma criança, um bebê, será que nós poderíamos? Será que o responsável por esse orfanato deixaria uma criança de 13 ou 18 anos adotar outra criança? Não? Então por que obrigar uma criança de 13 ou 18 anos a ter um filho completamente não planejado, não importa se foi por estupro ou descuido? Por que obrigar uma criança a ser responsável por outra criança?

Agora imagine que estamos falando de uma mulher de, sei lá, 30 anos, casada, com emprego fixo, excelente salário e disponibilidade de tempo, mas que não quer ter filhos. Se ela engravidasse, por um descuido, seria justo existir uma LEI que LEGISLA dentro do CORPO DELA e que diz que ela vai ser OBRIGADA a ter essa criança que ela NÃO QUER por que ALGUÉM que não tem NADA a ver com isso acha que aborto é assassinato?

Eu acho que não é justo.


Agora imagine que estamos falando de uma mulher de 30 anos, solteira, pobre, desempregada, nenhuma formação, vive de pequenos bicos e de dinheiro que consegue de programas sociais. Ela não quer ter filhos. Essa mulher engravida, por descuido. O pai não vai assumir a criança. Essa mulher vive de aluguel, numa favela, não tem dinheiro para cuidados básicos que esse bebê iria precisar - roupas, fraldas, remédios, alimentos, brinquedos, etc - e não conseguiria arranjar nenhum emprego tendo um filho tão pequeno para cuidar e não há ninguém que possa ajudá-la. É justo existir uma LEI que LEGISLA dentro do CORPO DELA e que diz que ela vai ser OBRIGADA a ter essa criança que ela NÃO QUER por que ALGUÉM que não tem NADA a ver com isso acha que aborto é assassinato?

Eu poderia citar mil diferentes casos de diferentes mulheres que não querem/não teriam condições de cuidar de uma criança e em como em todos esse mil casos o aborto seria uma possibilidade válida e que alguém negando isso é um absurdo. A questão é que muita gente é a favor do aborto em casos de estupro e de má formação do bebê ou risco de vida imediato para a mãe (coisas que deve-se levar em contar), mas ainda acham um absurdo que uma mulher queira abortar pelo fato de o bebê não ter sido planejado, por ter sido concebido num momento de descuido. Afinal, qual a dificuldade de se prevenir, tomar anticoncepcional, usar preservativos?

O aborto é o único caso de saúde pública (sim) que é julgado pela forma em que a mulher entrou nessa situação (engravidou). Você não vai obrigar uma pessoa que quebrou o braço caindo da escada a ficar com o braço quebrado para sempre só por que ela poderia ter segurado no corrimão. Você não vai negar transfusão de sangue para uma pessoa que cortou os pulsos e foi socorrida pela família só por que essa pessoa podia ter escolhido não tentar o suicídio. Você não vai deixar de operar uma pessoa que teve metástase no câncer avançado só por que ela poderia ter feito o exame anos mais cedo e descoberto o tumor antes que ele se espalhasse. Você não vai deixar uma pessoa que fumou a vida inteira e precisa de um pulmão novo morrer só por que ela poderia ter escolhido não fumar.

Por que você vai obrigar uma mulher a ter um filho que ela não quer ou não pode ter, coisa que vai mudar completamente sua vida, só por que ela infelizmente engravidou por um descuido?


Acho que já falei demais... Vou finalizar o texto com uma pequena reflexão interna. Independente de questões financeiras e afins, ter um filho abala extremamente a vida de uma pessoa, seja homem ou mulher. Eu não teria condições de ter um filho agora, nesse momento, nesse instante. Eu, com todos os meus problemas psicológicos, acho que seria um erro expor uma criança a uma mãe com tendências suicidas, constantes ataques do pânico, crises longas de depressão e ansiedade. Acho que seria extremamente prejudicial para uma criança ser criada num ambiente em que a mãe teve que desistir de sua vida para poder cuidar dela. Não gostaria de saber que eu fui, desde meu concebimento, um enorme contratempo na vida da minha mãe. 

Acho que seria um erro obrigar uma criança a nascer numa família extremamente pobre que, mesmo com a melhor das intenções, não será capaz de prover alimentos, saúde e educação para essa criança. É um erro obrigar uma criança a nascer num ambiente hostil, num ambiente em que ela não será feliz ou saudável. E não me venha falar em colocar a criança num orfanato se você nunca visitou um.

Não estou dizendo que um bebê não planejado não possa ser bem recebido, e não acho errado que uma mulher deixe seu emprego ou faculdade ou qualquer outra coisa para poder cuidar de uma criança. Isso é extremamente nobre. Com esse texto, quero deixar claro que a mulher deve escolher se quer ou não ter o filho que está carregando, independente desse bebê ser fruto de estupro ou não, independente de ela ter ou não condições financeiras, físicas ou psicológicas para ter um filho. 

Sou a favor da escolha. Sou a favor da mulher decidir qual o seu destino. Uma lei criada por uma pessoa que não vive sua vida não pode decidir isso por você.

Um deputado não pode te proibir de tomar a pílula do dia seguinte. Um deputado não pode te impedir de ter um aborto legal e seguro. Um deputado não pode decidir o que você faz ou deixa de fazer na sua vida baseado nas crenças pessoas dele.

Você devia ter liberdade de escolha. Eu devia ter liberdade de escolha.

Por que não temos?

Leituras complementares (reportagens, artigos científicos, números, dados, pesquisas e depoimentos):

































P.S.: Se você for me xingar, por favor, nem comente. Se não concorda com meu post, acha que algum link não é confiável ou tem uma fonte mais confiável que diz algo diferente do que eu citei, sinta-se livre para compartilhar comigo. Opiniões divergentes são bem vindas. Vamos conversar, vamos debater. Minha visão não é absoluta.

sábado, 7 de novembro de 2015

Sério, você TEM que ler Carloz Ruiz Zafón


Oi galerinha, tudo bom com vocês?

Hoje é um belíssimo sábado, são quase oito da noite e eu passei O DIA TODO escrevendo trabalhos para a faculdade. Não aguento mais ouvir falar de Piaget ou Vygotsky ou semântica ou ambiguidade ou vagueza ou continuidade textual, não, chega, pra mim já deu. Então, para espairecer minha cabeça, venho escrever mais pois sou extremamente masoquista sobre esse autor lindo, maravilhoso, xeroso e simpático que é o Carlos Ruiz Zafón.

Zafón é um escritor de romances espanhol, que atualmente mora em Los Angeles, e eu li quatro dos sete livros que ele publicou. Li os quatro esse ano, por indicação dos meus amigos (tão divos e xerosos quanto o Zafón) Gabriel e Maíra, e só posso dizer que estou completamente apaixonada pela escrita deste homem.

"Cresci no meio de livros fazendo amigos invisíveis em páginas que se desfaziam em pó e cujo cheiro ainda conservo nas mãos."
- A Sombra do Vento



"Bea diz que a arte de ler está morrendo muito aos poucos, que é um ritual íntimo, que um livro é um espelho e só podemos encontrar nele o que carregamos dentro de nós, que colocamos nossa mente e alma na leitura, e que esses bens estão cada dia mais escassos."
- A Sombra do Vento

Meu objetivo não é fazer uma resenha dos livros, na verdade eu não faço ideia do meu objetivo, a questão é que eu amo esse autor e os livros dele e eu queria que todas as pessoas conhecessem o trabalho dele, por que, sério, é espetacular.

Na verdade, acabei de decidir que vou falar um pouco sobre a época em que li cada um dos livros do Zafón e o que impacto eles tiveram na minha vida. Esses livros foram, cada um de uma maneira bem diferente, muito importantes em alguns momentos da minha vida.

A Sombra do Vento, O Jogo do Anjo e O Prisioneiro do Céu se passam no mesmo universo,e contam uma história entrelaçada, ainda que nenhum seja exatamente a continuação um do outro. Você pode ler qualquer um deles em qualquer ordem e não perderá nada da história, mas eu achei mais legal ler na ordem de publicação, pois assim faz mais sentido. Os três livros se passam em Barcelona e giram em torno do escritor Julián Carax, o Cemitério dos Livros esquecido e a Livraria Sempre e Filho. OS LIVROS SÃO INCRÍVEIS.

"Ainda não posso morrer, doutor. Ainda não. Tenho coisas a fazer. Depois tenho a vida inteira para morrer."
- O Jogo do Anjo



"Cada livro, cada volume que você vê, tem alma. A alma de quem o escreveu, e a alma dos que leram, que viveram e sonharam com ele."
- A Sombra do Vento

A Sombra do Vento é o livro mais conhecido do autor e também foi o primeiro dele que eu li. Não sabia bem o que esperar, nunca tinha lido nada do tipo - uma espécie de romance histórico fantástico - e estava com medo de não gostar. Espero que meu professor de Literatura não esteja lendo isso, mas eu posso jurar que, mesmo escrevendo apenas prosa, Zafón tem um toque lírico em cada sentença que escreve. Você consegue sentir a beleza das palavras, que às vezes tem múltiplos significados em seu texto.

Todos os livros de Zafón - pelo menos, os quatro que li - tem uma história principal (que se passa no tempo presente da história) e tem uma segunda narrativa, geralmente completamente embaralhada com a história principal, e às vezes você só entende por que as duas histórias eram contadas simultaneamente no final.

Lembro que, quando eu estava lendo A Sombra do Vento, era um sábado e eu estava na faculdade em que estudo Letras para fazer uma atividade extracurricular. Nesse dia estava ventando muito e estava difícil ler do lado de fora, por que o vento levava as páginas a todo momento, fora as folhas que caíam das árvores. Eu estava esperando que fossem me buscar e não tinha nada mais para fazer. Ao mesmo tempo, o professor Rodrigo, do curso de história - não sei o que ele ensina, mas sei que uma vez ele deu aula com um cachorro do lado dele - estava enfeitando a árvore do lado de fora - para quê, eu não sei -, colocando pedaços de pano, guizos, um tênis e outros objetos para que ela ficasse bastante enfeitada. Os enfeites estão lá até agora, e já faz uns bons seis meses que isso aconteceu. Ah, metade da árvore caiu depois de uma chuva muito, muito forte mesmo, há mais ou menos um mês. Enfim, essa imagem do professor decorando a árvore enquanto eu lutava com as páginas do livro ficou na minha cabeça.

Essa é a árvore <3
"— Os livros são chatos.
— Os livros são espelhos: Neles só se vê o que possuímos por dentro."
- A Sombra do Vento

"─ Por onde quer que eu comece?

─ Você é o narrador. Só peço que me diga a verdade.
─ Não sei o que é a verdade.
─ A verdade é o que dói"
- O Jogo do Anjo


O Jogo do Anjo foi o segundo livro de Zafón que eu li, apenas um pouco depois de A Sombra do Vento. O livro não é uma continuação de A Sombra do Vento, mas se passa no mesmo universo e tem alguns personagens em comum. 

Este livro foi incrível. Me senti extremamente conectada com o personagem principal, David, que descobre que está doente e perde toda a esperança em seu sonho de ser um grande escritor. Após vários acontecimentos misteriosos e que ele acredita serem delírios, ele começa a se recuperar estranhamente da doença - a pesar de ainda estar com a doença, não está mais doente. 

Eu me identifiquei com David por causa de meu desejo de ser escritora, por já ter passado por momentos em que eu não sabia se o que estava acontecendo comigo era real ou não, e eu conseguia entender e sentir na pele o medo que David tinha de nunca conseguir realizar seu maior sonho, que era escrever algo que fosse sincero conforme seu coração.

Li as últimas trinta páginas deste livro esperando para ser atendida pelo médico e descobrir que estava - ainda estou - com anemia e precisaria de encaminhamento médico para o psicólogo. Nunca me identifiquei tanto com um personagem. Depois que terminei este livro, fiquei algum tempo sem conseguir ler nada. Estava presa ao espírito de David.

"Acho que o senhor não tem muitos amigos. Nem eu. Não confio nas pessoas que acham que têm muitos amigos. É sinal de que não conhecem os outros."
- O Jogo do Anjo



"Às vezes a pessoa se cansa de fugir, o mundo é muito pequeno quando não se tem aonde ir."
- O Prisioneiro do Céu

Depois de um bom tempo sem conseguir ler nada, finalmente comecei a ler O Prisioneiro do Céu. Terminei o livro em dois dias (ele é curtinho, mas, mesmo assim, eu estava com saudade de ler). A questão é que O Prisioneiro Céu é um livro espetacular, e difere dos outros dois livros do mesmo segmento (Trilogia do Cemitério dos Livros Esquecidos, como costumam chamar). Enquanto A Sombra do Vento e O Jogo do Anjo contam duas histórias paralelas que acabam se encontrando no final da narrativa, O Prisioneiro do Céu tem a história do presente e do passado protagonizadas pelo mesmo personagem, e ainda assim você se surpreende com o final da história do passado e da história do presente. Esse livro é incrível.

Lembro que, no segundo dia em que peguei para ler, faltando pouco mais de 150 páginas para terminar o livro, eu comecei a ler e a ler e a ler mais e mais e mais e não conseguia tirar os olhos do livro. Passei a tarde toda na loja em que trabalho, atendendo os clientes e lendo desesperadamente, peguei o ônibus para ir para a faculdade e li o livro usando a lanterna do celular e depois mal consegui assistir às aulas da faculdade, querendo terminar logo o livro. Assim que terminei de ler minha amiga Maíra, que só tinha lido os dois primeiros da trilogia (a pesar dos livros tecnicamente não seguirem ordem nenhuma), me pediu o livro emprestado, e eu deixei meu exemplar com ela. Era o último dia de aula do primeiro semestre da faculdade e ela só me devolveu o livro no primeiro dia de aula do semestre seguinte.

Foi muito estranho passar um dia todo me desdobrando para ler este livro, passando horas com ele nas mãos e ansiando pelo fim da história, para depois ficar separada do livro por mais de um mês. Foi estranho, mas ao mesmo tempo, me deu uma sensação de... como posso explicar? Saber desapegar um pouco das coisas que nos cativam, acredito.

"Os loucos sempre acham que os loucos são os outros."
- O Prisioneiro do Céu


"A gente só se lembra do que nunca aconteceu."
- Marina

Na primeira vez em que tentei ler Marina, dois ou três meses atrás, li pouco mais de 60 páginas e abandonei o livro. Nessa mesma época, abandonei outras duas leituras (Clube da Luta e Espadachim de Carvão, ambos livros eu eu retomei mais tarde e adorei). A verdade é que, naquela época, eu estava muito mal. Tão mal quanto nunca estive antes. Minha depressão e minha ansiedade estavam batendo nas alturas, eu mal conseguia comer ou dormir ou raciocinar, tive várias crises de pânico, fui para o hospital e finalmente comecei um tratamento psiquiátrico, usando antidepressivos, para poder voltar ao normal.

Eu ter odiado Marina justamente na época em que estava em depressão profunda me faz pensar na minha teoria (da qual Zafón compartilha, como você pode ver pelos quotes que selecionei) de que a gente só gosta dos livros que lê quando encontra algo de nós neles, e enquanto a gente não tiver nada de bom a oferecer ou nada de bom a procurar nunca vamos realmente gostar de livro nenhum. 

Há duas semanas, já no tratamento há um bom tempo e tendo melhorado significativamente, decidi dar uma nova chance a Marina. O livro é espetacular. Não sei se é o meu favorito de Zafón, mas com certeza é um dos livros mais profundos, tocantes e tristes que já li. A história é linda, cheia de mistério, aventura, tem várias narrativas paralelas que se entrelaçam no fim e tem os personagens mais verossímeis que você é capaz de imaginar. Li este livro em três dias e me apeguei a Marina da mesma forma obsessiva que o personagem principal, Óscar, se apegou à Marina do livro. Me apaixonei profundamente pela história deste livro e minha vontade, ao terminá-lo, era de ler tudo de novo e chorar mais uma vez. Eu sofro muito.

"Toda a geografia, trigonometria e aritmética desse mundo são inúteis, a não ser que você aprenda a pensar por si só. Nenhuma escola te ensina isso. Não está no currículo"
- Marina

Tirei essa foto no dia em que o vento insistia em me atrapalhar a leitura.
"- Sabe o que é bom nos corações partidos? - perguntou a bibliotecária. Neguei. - É que só podem se partir de verdade uma vez. O resto são apenas arranhões."
- O Jogo do Anjo

Bom... Não sei bem o que esse post foi, mas gostei de escrevê-lo. Consegui refletir sobre esses livros e o impacto que tiveram na minha vida. É incrível como, às vezes, os livros costumam espelhar a realidade muito melhor do que a realidade propriamente dita consegue, não é?

Vou acabar o post por aqui. Espero que tenham gostado e espero que se interessem pelos livros do Zafón. Juro, são espetaculares. E espero poder ler, em breve, os três livros do autor que ainda não li. 

Beijos e até a próxima ;)

"O destino não faz visitas em domicílio, é preciso ir atrás dele."
- O Prisioneiro do Céu

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

A Velocidade da Luz, de Javier Cercas

A Velocidade da LuzAutor: Javier Cercas
Título original: La velocidad de la luz
Editora: Biblioteca Azul
É bom?: ★★★★★
Páginas: 248

Sinopse: Embaralhando ficção e realidade – os dados biográficos do narrador do romance coincidem em grande parte com os do autor –, Cercas agarra à unha aqui o tema da solidão do escritor diante do caos irredimível do mundo. Como encontrar uma voz própria em meio a essa algaravia? Como enunciar algo que não acrescente simplesmente ruído ao ruído?

O enredo de A velocidade da luz, grosso modo, é a relação entre um escritor espanhol e um veterano norte-americano da guerra do Vietnã, Rodney Falk, que ele conheceu na Universidade de Urbana, uma cidadezinha próxima a Chicago. Com base em suas lembranças de Falk e nas cartas que este mandava do front ao pai, o escritor/narrador pretende entender os enigmas do amigo americano e produzir um livro a respeito.
Assim como em Soldados de Salamina, a história narrada é também uma discussão sobre a tentativa de narrá-la. Como quem monta um quebra-cabeças infernal, o narrador busca reconstituir a trajetória de um homem dilacerado pelos horrores da guerra para dar a ela algum sentido. A tarefa, desde logo, é impossível, mas, como se diz a certa altura do romance, só merecem ser contadas as histórias que não se pode contar.


Queria começar essa resenha dizendo que faz pouco mais de uma hora que terminei de ler este livro e já decidi que ele é um dos meus favoritos da vida toda.

Editado: Quando escrevi a resenha fazia pouco mais de uma hora, mas continua sendo um dos meus favoritos pra vida.

Conheci este livro por intermédio de um de meus melhores miguxos, Gabriel, que curiosamente também é o nome de um personagem deste livro. Todos os livros que Gabriel me indica se revelam espetaculares, mas este ultrapassou todas as minhas expectativas.

Não quero me aprofundar muito na história do livro, pois qualquer informação que eu te der vai ser uma surpresa a menos que você terá ao ler. Mas, resumindo, o A Velocidade da Luz conta a história de um narrador sem nome, nascido na Espanha, cujo sonho é ser um escritor famoso. Ele se muda para Urbana, nos Estados Unidos, para lecionar espanhol, e é lá que conhece Rodney Falk, um ex-veterano da guerra do Vietnã (sabe aquela música, “era um garoto, que como eu, amava Beatles e os Rolling Stones...”? Então, essa guerra).  Os dois se tornam amigos, mas depois das férias de verão Rodney some e o narrador sem nome passa o resto do livro tentando entender essa personagem que é o Rodney.

Ah, manhãs preguiçosas com boas leituras *-*
A questão é que o livro é bem mais do que apenas um romance. O livro é, basicamente, um escritor (Javier Cercas) contando a história de um aspirante a escritor, que adora falar sobre o ato de escrever, que adora filosofar sobre a escrita, o sucesso e o fracasso dos escritores, e acho mais espetacular ainda que eu queira, também, ser escritora (veja só), então é um escritor escrevendo sobre um homem que quer ser escritor e uma garota que quer ser escritora está lendo esta história. Bem louco.

Não vou ficar rasgando o livro de elogios e nem falando minhas impressões sobre os sentimentos ou falta deles no livro, pois o autor já fez isso por mim. Ele escreveu vários diálogos entre seus personagens que debatiam por que escrever, para quem escrever, qual a finalidade de escrever,  que histórias devem ou não ser contadas e que histórias são de determinada forma e que histórias não são. Confesso que isso me poupou muito tempo dessa resenha.  Não queria perder um parágrafo inteiro falando sobre como eu praticamente bebia as palavras das páginas do livro, me recuso.


Uma última questão interessante: vi muitas pessoas que acham que este livro tem um quê de autobiográfico. Como o próprio autor coloca em debate no livro, todo escritor coloca um pouco de si e de sua vida no que escreve. Mas a questão não é saber se os personagens, a história, os acontecimentos ou qualquer outro aspecto do livro são reais. Como diz meu professor de literatura, “o importante não é contar a verdade, mas sim contar algo verossímil”. Acho que foi isso que o autor fez. Escreveu um livro tão brutalmente real (nos sentimentos, nos acontecimentos, em tudo) que todo mundo acha que aconteceu mesmo.

E essa resenha termina assim.

O Ventre da Baleia Anatomia de um Instante  Soldados de Salamina

Outros livros do autor, que eu estou aceitando de presente! Para abrir a página dos livros no skoob, clique na capa deles ;)