terça-feira, 11 de outubro de 2016

Os E-books ILEGAIS que me Fizeram Gostar de Ler

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Vocês preferem livros digitais ou físicos?
Olá, pessoinhas maiores de 0,5 anos de idade! Tudo bom?

Admito, essa postagem talvez seja um pouco polêmica. Vou contar sobre o início da minha vida de leitora e qual foi a importância dos e-books ilegais (aqueles do Orkut e dos fóruns marotos) nesse processo. Não joguem pedras em mim (por enquanto).

Primeiro, quero que você imagine a Nath com seus sete, oito anos. Foi nessa época que eu já sabia ler relativamente bem (para uma criança nessa idade), e também foi nessa época que comecei a ler meus primeiros livros, alguns até sem figuras. Um dos meus livros favoritos enquanto eu era alfabetizada era Bisa Bia, Bisa Bel, um livro curto, com ilustrações, mas que me fazia viajar nas palavras. Li esse livro umas 50 vezes. Sério, eu o lia quase todos os dias.

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Amo/sou
Até hoje me lembro dos primeiros livros sem figuras que eu li. O primeiro foi A Cidade das Feras. Meu tio gostava de Isabel Allende e me deu um livro infantil dela para ler. Só li naquela ´única vez, há uma década, mas me lembro da história até hoje. Minha conexão emocional para com o livro foi instantânea. Não me lembro do nome das personagens, mas me lembro que a mãe do personagem principal teve câncer e ele foi viajar na Amazônia com a avó, que escrevia guias de viagens para revistas; tem uma cena em que ela prende ele no carro e começa a fumar para ele aprender que não deve usar drogas; tinha a viajem de canoa, a parte da floresta intocada, os espíritos dos animais, enfim. Eu amo esse livro até hoje, mas tenho medo de reler e não ter a mesma experiência.

Logo em seguida, li A Bússola de Ouro. Sabe aquele filme com a Nicole Kidman, com ursos que falam, crianças com animais que fazem parte das almas delas e umas loucuras ateístas? Esse livro. Eu o li quando era criança e me lembro de ter me apaixonado perdidamente pela história. Ano passado eu tentei ler a série toda e odiei os livros. Vida que segue, né?

Amei o primeiro quando era criança, detestei os demais aos 18 anos.
Quando eu tinha meus 13 anos eu não tinha dinheiro para comprar livros. Naquela época eu tinha os quatro livros da saga Crepúsculo (que li umas cinco vezes), tinha os primeiros livros da Série House of Night, além de uns livros infantis aleatórios. Já li todos esses livros tantas vezes que praticamente os decorei. De fato, eu sei partes de Marcada de cor até hoje.

Esses livros, no entanto, não satisfaziam meu desejo por leitura. Eu tinha carteirinha na biblioteca da cidade e pegava vários livros com frequência, desde Stephen King até Agatha Christie, e da biblioteca da escola eu legava qualquer livro que parecesse legal, e fiz uns achados espetaculares na época, como Babel Hotel, Slam, 1984 e os livros de Sherlock Holmes.

Mas eu queria ler lançamentos, livros novos, livros para adolescentes, livros de vampiros, essas coisas. Eis que eu descobri o há muito falecido Rei do E-book, um site com e-books ilegais, digitalizações e traduções amadoras de vários livros, que já tinham edição nacional e outros que nem sonhavam pisar em terras tupiniquins. Essas digitalizações e traduções eram feitas por grupos sem fins lucrativos que se uniam pelo Orkut, o pessoal pedia livros e eles nos traziam e-books maravilhosos, e foi a partir desses grupos (muito seletos e secretos) do Orkut que eu li livros que amo até hoje. E é engraçado que eu acabei comprando quase todos esses livros com o passar do tempo. Foi através de e-books ilegais que eu li Harry Potter pela primeira vez (hoje tenho duas edições, risos), li Artemis Fowl (amo/sou, inclusive, cadê o filme?), Fallen, Sussuro, Shadowhunters, dentre outros.

Tenho essa edição da capa branca em português e essa em paperback em inglês. Minha coleção em português é toda igual, mas minha coleção em inglês tem várias edições, capas variadas. Meu sonho é ter aquela edição com o castelo na lombada, sabe?

Eu adorava e-books. Eu colocava vários deles no meu celular (na época era um celular beeem ruim, daqueles tipo Blackberry falso) e me esforçava infinitamente para ler aquela letra miúda em aplicativos horrorosos e pirateados. Eu lia de madrugada, na escola, em todo lugar, por que ler era minha paixão. Me lembro que eu li o primeiro livro da série Artemis Fowl inteiro numa madrugada, pelo celular. Hoje eu tenho todos os oito livros da série e já reli varias vezes. Isso faz uns seis anos.

Depois que comecei a ter dinheiro, com 15-16 anos, eu parei de ler e-books. Finalmente eu tinha dinheiro para comprar livros e gastava muito na livraria da cidade, também comprava nas lojas virtuais, enfim, chegou um momento em que eu tinha tantos livros que mal dava conta de lê -los (ainda é assim, na verdade). Há livros que comprei é demorei anos para ler (tipo As Crônicas de Gelo e Fogo) e tem livros que eu comprei faz tempo e até hoje não criei coragem de ler.

Sem contar que, desde comecei a trocar livros pelo Skoob, encontrei uma forma simples de me livrar dos livros que eu não gostei, e conseguir outros que quero em troca. Já consegui livros e coleções incríveis, mesmo que usados. Os livros vem em ótimas condições, nunca tive problemas com trocas Livro X Livro nem pelo Skoob Plus. Aliás, minha coleção do Harry Potter em inglês foi adquirida trocando pelo Skoob Plus. EM INGLÊS!

Meu amigo divo Gabriel me deu os quatro primeiros livros,
os demais eu conseguir através de trocas no Skoob Plus.
Recentemente, comecei a perceber que eu estava ficando descontente com minhas compras. Em março eu comprei 9 livros na Amazon e só gostei de fato de três deles. Fiquei chateada, pois os livros eram caros, não tenho dinheiro sobrando assim, e decidi mudar isso: a partir de agora, eu irei ler os primeiros capítulos dos livros por e-book e só vou comprar se realmente gostar da leitura. Geralmente as editoras (e a Amazon) disponibilizam alguns capítulos dos livros para a gente ler, e isso é ótimo, mas quando não acho previews eu baixo o livro no Le Livros e leio. Falo mesmo. Já achei livros incríveis por lá, que comprei depois com orgulho, e outros livros que não valiam o meu dinheiro, sinceramente.

Eu sei que há pessoas que se apoiam exclusivamente em e-books ilegais na hora de fazer as leituras. Sei que isso não é legal para o autor. Como aspirante a escritora, entendo isso. De verdade. Eu sempre me esforço para comprar os livros, e até quadrinhos e mangás, dos quais eu gosto. Acho os e-books ilegais uma ferramente importante para mim, também. Prefiro gastar 300 reais em livros que sei que vou gostar do que 40 num livro ruim.

Desses livros, eu não gostei de: Herdeira do Fogo, One Punch Man, Léxico e A Rainha Vermelha.
Gostei mais ou menos de Jovens de Elite e só fui curtir Uma Chama Entre as
Cinzas do meio para o final.
E eu nem sempre faço isso. Quando o Rick Riordan publica um livro eu simplesmente compro e leio, por exemplo. Inclusive já saiu um livro novo da série Magnus Chase e PRECISO dele! Quando sai um livro novo de alguma série que eu acompanho eu simplesmente coloco no carrinho da Amazon. Mas estou cansada de investir em leituras novas e só quebrar a cara.

Em outro aspecto, eu faço Letras e com frequência preciso ler um livro ou artigo científico para as aulas/fazer trabalhos/fazer provas/TCC, e comprar essas coisas sai absurdamente caro. Até tenho alguns livros na minha área, de teoria da literatura e literatura comparada, além de um livro de gramática bem louco, mas geralmente eu baixo esses livros, principalmente tragédias gregas. Isso me ajuda em muito. Nossa, li tantas peças da época do renascimento e do barroco que nem aguento mais olhar a tela do meu tablet.

Só comprei esse livro de Moderna Gramática Portuguesa pois ele estava custando $12.
O outro livro eu ganhei numa palestra por ter feito perguntas pertinentes kkkkk.
Enfim, eu acredito que os e-books ilegais são incríveis. Mas, Nath, por que não comprar e-books normais, então? A questão é simples: o preço. Há e-books que custam quase o preço do impresso, e mesmo os e-books mais baratos não valem a pena. Paguei 3 reais num e-book do livro Mensagem, do Fernando pessoa, sendo que o autor nem tá vivo mais, as obras dele são patrimônio cultural público, o e-book tinha 60 páginas e nada de especial. Eu só vou começar a comprar e-books quando eles tiverem um preço justo e boa diagramação.

É isso por hoje, galeres. Foi um post longo, meio emocional, mas acredito que atingi meu objetivo: de fato fazer com que as pessoas entendam o motivo de eu ler e-books ilegais, gratuitos, e como eu acho que isso nos beneficia muito.

E você, gosta de ler e-books? Costuma comprar e-books? Possui algum leitor digital? Me conte!!

Até o próximo post!

Para finalizar, queria deixar aqui essa singela imagem. Essa foto foi tirada em meados de 2012, quando meus pais estavam reformando nossa casa. Choveu pra caralho, alagou tudo, as paredes choravam chuva e tive que salvar meus livros em meio a muito desespero. Eu tinha 15 anos na época e só tinha tanto livro assim por causa de parcerias no blog (que não faço mais) e por comprar livros em promoções cabulosas. Ser leitora não é fácil.

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