sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Graffiti Moon, de Cath Crowley

Graffiti MoonAutora: Cath Crowley
Editora: Valentina
É bom?: ★★★★★
Páginas: 240

Sinopse: Uma aventura emocionante e perigosa como um grafite clandestino. Uma noite de arte e poesia, humor e autodescoberta, expectativa e risco e, quem sabe, amor verdadeiro. Um artista, uma sonhadora, uma noite, um significado. O que mais importa? O ano letivo acabou, aliás, o último ano do ensino médio. Lucy planejou a maneira perfeita de comemorar: essa noite, finalmente, ela encontrará o Sombra, o genial e misterioso grafiteiro, cujo fantástico trabalho se encontra espalhado por toda a cidade. Ele está de spray na mão, escondido em algum lugar, espalhando cor, desenhando pássaros e o azul do céu na noite. E Lucy sabe que um artista como o Sombra é alguém por quem ela pode se apaixonar — se apaixonar de verdade. A última pessoa com quem Lucy quer passar essa noite é o Ed, o cara que ela tem tentado evitar desde que deu um soco no nariz dele no encontro mais estranho de sua vida. Mas quando Ed conta para Lucy que sabe onde achar o Sombra, os dois de repente se juntam numa busca frenética aos lugares onde sua arte, repleta de tristeza e fuga, reverbera nos muros da cidade. Mas Lucy não consegue ver o que está bem diante dos seus olhos.

Graffiti Moon é uma espécie de história gênero coming-of-age - aquele tipo de história na qual as personagens deixam de ser adolescentes e se tornam adultas, através de ritos de passagem. Alguns exemplos deste gênero são os famosos O Apanhador no Campo de Centeio, Jane Eyre e até o mais contemporâneo Aristóteles e Dante Descobrem os Segredos do Universo.

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Till the heart caves in, de Michael Zavros
A diferença é que Graffiti Moon não se passa durante um período longo da vida das personagens - de fato, o livro começa durante uma tarde e termina no amanhecer do dia seguinte. Apesar de abarcar apenas o time lapse de uma madrugada, o livro mergulha profundamente nos pensamentos das personagens e nas escolhas que os trouxeram para aquela noite, naquele momento.

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Os Amantes, de Magritte.
O livro começa com Lucy, uma garota que acaba de completar o ensino médio e cujo sonho é ser uma artista de vidro. Ela quer muito conhecer dois grafiteiros que tem pintado os muros de sua cidade: Sombra (o desenhista) e Poeta (o escritor), uma vez que ambos a inspiraram a correr atrás de seu sonho artístico. Lucy tem uma paixonite por Sombra que não é segredo para ninguém, apesar de que ela não o conhece e não sabe nada sobre ele - sequer sabe se é um homem, qual sua idade e se é uma boa pessoa.

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A mulher com o corvo, de Picasso.
Alternativamente, Ed tem uma opinião bastante baixa de si mesmo: se vê como um perdido desempregado e sem estudo, e a única maneira que encontra de ajudar a mãe a pagar o aluguel e impedir que o amigo seja pego por gangstêrs é assaltando uma escola e revendendo a carga clandestinamente. Sua vida se complicou depois que seu chefe em uma loja de tintas faleceu e ele perdeu o emprego, e nem pintar muros pela cidade com o amigo tem lhe trazido a mesma alegria de antes. Pois é.

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No.301 (Vermelhos e Violeta sobre Vermelho/Vermelho e Azul sobre Vermelho), de Rothko.
Ed e seu amigo, Leo, irão roubar a escola em que estudaram durante a madrugada - mas, antes, decidem sair para uma festa e lá se encontram com Lucy e sua amiga, Jazz, e assim suas vidas podem tomar rumos diferentes quando Lucy pede ajuda de Ed para caçar o Sombra - sem saber que ele é o próprio.

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Vitória alada da Samotrácia, escultura da Grécia Antiga.

O livro se passar durante um curto período de tempo com certeza foi o maior diferencial da autora, algo que me fez gostar muito da leitura: ao mesmo tempo em que a história era ágil e as personagens se comunicavam e faziam coisas insessantemente, haviam pausas nos acontecimentos do presente para conhecermos o passado e as motivações das personagens. Num livro com menos de 250 páginas nós vivemos uma aventura de uma noite ao mesmo tempo em que conhecemos a fundo os sonhos e aspirações artísticas de ambos Ed (grafiteiro) e Lucy (artista de vidro) e conhecemos seus relacionamentos com suas respectivas famílias, com seus trabalhos e com amigos. 

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Sem título, de Ghostpatrol.
O livro é mais focado no desenvolvimento das personagens do que no avanço da trama, o que foi extremamente acertado. Se nós apenas seguíssemos os acontecimentos da história sem o conhecimento profundo da vida de Ed e Lucy o livro não faria sentido. Não entenderíamos suas motivações e ações: seria a história de um grafiteiro que vai roubar uma escola enquanto uma menina apaixonada por outro cara o segue para todos os lugares. Apesar da frase anterior ser verdadeira, ela descreve o livro muito precariamente.

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Escultura em vidro, de Dale Chihuly.
Eu gostei da leitura por muitos motivos: a narrativa é ágil e cativante, as personagens são muito bem desenvolvidas e a estrutura do romance é intrincada, mas sinceramente o que mais me fez gostar do livro é o fato de ele ser uma história interessante sobre jovens descobrindo a vida através da arte. Simples assim.

Em toda essa postagem coloquei obras mencionadas no livro. Tivemos menções a pintores, escultores, poetas, escritores e outros. Mas o que mais me marcou foi a arte do Dale Chihuly. Ele é um artista de vidro, assim como a Lucy, e sua arte é diferente de tudo o que já vi. Vou deixar aqui uma última imagem de um trabalho dele:

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segunda-feira, 4 de setembro de 2017

O Egípcio, de Mika Waltari (Forrest Gump do Egito Antigo!)


Olá, pessoas maravilhosas!

Hoje trago a vocês uma resenha em vídeo do livro O Egípcio, do Mika Waltari. Este livro foi escrito logo após a Segunda Guerra Mundial por um finlandês, e fala das aventuras da vida de um médico durante a dinastia do faraó Akhnaton. Espero que goste do vídeo!


Algumas fotos do livro:





É isso por hoje, pessoal! Espero que tenham curtido o vídeo! Se gostou, deixe seu jóinha e compartilhe, isso ajuda muito quem está começando. Se tiver alguma crítica, comentário ou sugestão, pode colocar ou aqui no blog ou nos comentários no YouTube que em 24h eu respondo.

Um abraço, e até o próximo post!

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sexta-feira, 1 de setembro de 2017

A Rebelde do Deserto, de Alwyn Hamilton

A Rebelde do DesertoAutora: Alwyn Hamilton
Título Original: The Rebel of the Sands
Editora: Seguinte
É bom?: ★★★★★ 3.5
Páginas: 283
Sinopse: O deserto de Miraji é governado por mortais, mas criaturas míticas rondam as áreas mais selvagens e remotas, e há boatos de que, em algum lugar, os djinnis ainda praticam magia. De toda maneira, para os humanos o deserto é um lugar impiedoso, principalmente se você é pobre, órfão ou mulher. Amani Al’Hiza é as três coisas. Apesar de ser uma atiradora talentosa, dona de uma mira perfeita, ela não consegue escapar da Vila da Poeira, uma cidadezinha isolada que lhe oferece como futuro um casamento forçado e a vida submissa que virá depois dele. Para Amani, ir embora dali é mais do que um desejo — é uma necessidade. Mas ela nunca imaginou que fugiria galopando num cavalo mágico com o exército do sultão na sua cola, nem que um forasteiro misterioso seria responsável por lhe revelar o deserto que ela achava que conhecia e uma força que ela nem imaginava possuir.

Eu não esperava muito de A Rebelde do Deserto, mas definitivamente esperava algumas coisas. Nunca fui fã de histórias de faroeste (apesar de ter amado Westworld, risos) mas embarquei nesse livro por causa da mitologia árabe. Não conheço muitos livros nessa mesma temática e me animei bastante com isso. Apesar de a autora ter ocidentalizado um pouco os elementos árabes, acredito que a construção de mundo foi boa o suficiente e me senti imersa na história. Queria uma história cheia de aventura e magia árabe, e foi isso que eu recebi.

A Rebelde do Deserto é Amani, uma jovem garota que nasceu e cresceu na Vila da Poeira. Sua mãe morreu há algum tempo e agora ela mora com o tio, que pretende transformá-la em uma de suas muitas esposas. Amani não quer esse destino - sonha com a fuga para a cidade grande, e principalmente sonha em não ter mais que sofrer simplesmente por mulher.


Amo essas capas e mal posso esperar para colocar as mãos no segundo livro.
Obstinada, Amani decide participar de uma competição de tiro - disfarçada como homem - e é lá que ela conhece Jin, um forasteiro que pode ser sua única chance de finalmente escapar da Vila da Poeira. Enquanto tenta fugir nossa protagonista se envolverá com tramas políticas, magia e romance. O livro tem tudo o que chama a atenção do leitor, mas sem exagerar: as tramas políticas não são difíceis de acompanhar, a magia trás brilho a história sem torná-la maluca e o romance não atrapalha em nada o enredo, apenas o incrementa.

Eu gostei do livro, 30% por causa da história e do worldbuilding e 70% por causa da Amani. Ela é uma protagonista espetacular. Não se limita a seguir com o que acontece com a história, ela não é passiva: a história acontece por que ela se meche, ela toma decisões, vai a lugares e conversa com pessoas. Fora isso, ela é extremamente honesta (risos) e um pouco insubordinada. Não aceita a injustiça calada e sabe bem o que quer – que é fugir da sua vida miserável. A questão é que, durante o livro, Amani não só foge de sua vida, mas encontra um propósito para a mesma.


Foi um livro divertido e rápido de ler, e definitivamente lerei sua sequência!
A Bandida de Olhos Azuis.