terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Eleanor & Park, de Rainbow Rowell

Eleanor & ParkAutora: Rainbow Rowell
Título original: Eleanor & Park
Editora: Novo Século
É bom?: ★★★★★
Páginas: 328

Sinopse: Eleanor & Park é engraçado, triste, sarcástico, sincero e, acima de tudo, geek. Os personagens que dão título ao livro são dois jovens vizinhos de dezesseis anos. Park, descendente de coreanos e apaixonado por música e quadrinhos, não chega exatamente a ser popular, mas consegue não ser incomodado pelos colegas de escola. Eleanor, ruiva, sempre vestida com roupas estranhas e “grande” (ela pensa em si própria como gorda), é a filha mais velha de uma problemática família. Os dois se encontram no ônibus escolar todos os dias. Apesar de uma certa relutância no início, começam a conversar, enquanto dividem os quadrinhos de X-Men e Watchmen. E nem a tiração de sarro dos amigos e a desaprovação da família impede que Eleanor e Park se apaixonem, ao som de The Cure e Smiths. Esta é uma história sobre o primeiro amor, sobre como ele é invariavelmente intenso e quase sempre fadado a quebrar corações. Um amor que faz você se sentir desesperado e esperançoso ao mesmo tempo.

Numa bela tarde de verão eu estava em frente ao meu computador refletindo sobre o que faria com meus créditos no Skoob Plus. A pesar de estar lotada de livros para ler eu sabiamente decidi solicitar Eleanor & Park, e basicamente foi assim que coloquei minhas mãos sobre este livro.

O livro chegou e logo eu quis lê-lo. Eleanor & Park tem um capa super fofa e é claro que uma frase do John Green recomendando o livro só ajuda.


Essa é uma foto que tirei antes de começar a ler o livro, usando desavisadamente
uma camisa da banda Joy Divison, que talvez você possa ver na foto.
O livro se passa nos anos 80 e conta a história de Eleanor e Park, dois adolescentes que vão para a escola no mesmo ônibus. Na verdade, Eleanor acaba de chegar e Park já usa o ônibus faz algum tempo. Park é meio coreano, sendo seu pai um veterano de guerra que conheceu a mulher na Coréia e trouxe-a para os Estados Unidos. Seus pais tem um bom relacionamento. Park é fã de bandas de rock, desde heavy metal, rock progressivo até o punk. Ele também gosta de histórias em quadrinhos. Eleanor tem uma família completamente desestruturada, morando com a mãe, o padrasto e quatro irmãos. Ela tem um jeito completamente diferente de se vestir, sem contar que seus cabelos não a ajudam a parecer exatamente normal. Assim como Park, Eleanor é viciada em rock, mas sua paixão literária é pelos romances.

É o primeiro dia de Eleanor na escola nova e ela não sabe em que lugar do ônibus se sentar. Logo começam a zombar dela por causa de sua aparência, mas eis que um garoto coreano, a contra gosto, diz que ela pode se sentar do seu lado. E é assim que começa uma diferente história de amor.


Eleanor e Park não conversam. Eles não trocam olhares e, basicamente, fazem de tudo para fingir que o outro não existe. Mas então, gradualmente, eles começam a prestar atenção um no outro. Eleanor não pode deixar de reparar no gosto por quadrinhos de Park e Park sempre está curioso para entender por que Eleanor tem um modo tão peculiar de se vestir. Aos poucos Park percebe que Eleanor está lendo os quadrinhos com ele e decide emprestar à garota alguns de seus favoritos para que ela possa ler. Logo os dois começam a discutir quais são seus favoritos e eis que nasce uma amizade.

Mas nada poderia ser simples para os dois. O padrasto de Eleanor é maluco e faz de tudo para que ela tenha uma vida miserável. Ele vive dizendo o quão gorda e feia Eleanor é demonstra o quanto a odeia. A mãe de Eleanor está completamente presa a este relacionamento abusivo e Eleanor tem medo do que pode acontecer com seus irmãos, que ainda são pequenos. Eleanor tem medo de dizer que tem um amigo (que pode ser mais que amigo, afinal) e começa a mentir para sua mãe, dizendo que vai para a casa de uma amiga.


"Só o que faço quando estamos separados é pensar em você, e só o que faço quando estamos juntos é entrar em pânico. Porque cada segundo parece ser tão importante. E porque sou tão maluca, não me controlo. Não sou mais minha, sou sua; e se você resolver que não quer mais me ver? Como pode me querer como quero você?"

Eleanor & Park é um livro inesperado. Tem uma narrativa em terceira pessoa que não te afasta dos personagens. De fato, a cada página que eu lia eu me sentia ainda mais próxima dos dois, conhecendo suas famílias, seus gostos, seus desejos e seus medos. Eu mal via as páginas passando enquanto lia, e queria muito saber o que ia acontecer em seguida.

Confesso que, quando comecei a leitura, não estava gostando muito do livro. Comecei a achar que não tinha nada de especial, como me fizeram acreditar, e que era apenas uma história de amor entre duas pessoas extremamente tímidas.

Mas conforme eu li o livro eu percebi que era algo diferente. Primeiro, por que nós temos representatividade. Eleanor não é o padrão de beleza mundial. Ela é alta demais, gorda, tem milhões de sardas no rosto, se veste de maneira inusitada, tem cabelos ruivos e ENORMES e é muito tímida. Park é filho de pai americano e mãe coreana, é bem magro, tem olhos amendoados, só usa roupas pretas e, mesmo sendo bonito, é bastante reservado. 

O livro também retrata um pouco do machismo que permeava nos anos 80, mostrando como as mulheres eram mais vistas como donas de casa e que não ser feminina era pretexto o suficiente para ser tachada como "sapatão". Nesse mesmo assunto, o livro permeia o dia-a-dia de uma família que vive com um pai abusivo, que não respeita nada nem ninguém e que só mantem a esposa por que ela tem medo do que ele é capaz de fazer. Acho que Rainbow Rowell foi muito corajosa por trazer uma assunto desses à tona.


"Park tocava as mãos dela como se fossem algo raro e precioso, como se seus dedos estivessem intimamente conectados com o restante de seu corpo. O que é claro, era fato. Difícil explicar. Ele a fazia sentir como se ela fosse mais do que a soma de suas partes."

Eleanor & Park é uma história sobre o fim da inocência, sobre primeiro amor, sobre escolhas. Acho que é difícil alguém ler este livro e não se sentir nem um pouco comovido.

Depois que terminei de ler eu fui procurar sobre o livro no tumblr e achei várias pessoas infelizes com o final e pedindo uma continuação. Eu, sinceramente, gostei do final, e acho que a autora não precisa esclarecer mais nada sobre a história. Mas, é claro, se ela decidir escrever algo, é claro que eu vou ler.


Por se passar nos anos 80 o livro tem várias referências a músicas e bandas daquela época.  Todas as músicas citadas no livro são incríveis, mas gostaria de chamar atenção para uma delas. A música se chama Love Will Tear Us Apart, do Joy Division. Além de ser uma música muito boa, acho que ela combina muito bem com o livro. E também ajuda muito o fato de que eu gosto da banda e que essa música é a minha favorita deles! 



Enfim, espero que tenham gostado da resenha! Não esqueça de deixar seu comentário ;)
Beijos e até a próxima :*


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