quinta-feira, 7 de março de 2013

Matutando #1


Numa bela tarde de quinta-feira, uma jovem garotinha estava sentada na sua cadeira giratória, matutando adoro esse verbo, mereceu virar coluna sobre "quem será que fora o gênio que inventou a cadeira giratória?".
Um dos poucos prazeres que permanecem conosco quando envelhecemos e quem vos fala é uma jovem garotinha de 15 anos é o de rodar. A não ser que você seja uma pobre alma que não mantém contato constante com uma cadeira giratória, você com certeza sente algum tipo de prazer ao rodar.
Um exemplar da espécie
Cadeirus giratorius
A história das cadeiras giratórias não é muito conhecida - revirei o google inteiro atrás de qualquer informação, mas o máximo que descobri foi que há uma espécie de briga entre Tomas Jefferson e Charles Darwin pela pauta da cadeira giratória (não estou brincando).
Ao que tudo indica, Darwin criava plantinhas e as estudava. Então, num belo dia, ele percebeu que andar era algo demasiado obsoleto para alguém com um quociente intelectual tão avantajado, e como a roda é considerada uma invenção admirável (ainda que simplista), ele decidiu implantar algumas rodinhas em sua cadeira.
Assim surgiu a cadeira giratória.
No entanto, é obvio que cadeiras giratórias não servem apenas para ir atrás de plantinhas ou para diversão ocasional, mas sim para aumentar a produtividade num escritório.
A história das cadeiras giratórias, mesmo sendo breve, é realmente interessante.
Com a expansão das linhas ferroviárias, as empresas pequenas (nucleadas por membros de uma mesma família ou famílias muito próximas) começaram a dar espaço para grandes escritórios, o que pedia a contratação de mais empregados. E, com mais empregados, mais materiais, mesas e espaço (no sentido geral da palavra) era utilizado.
Como os empregados se quixavam de grande movimento pelo escritório e de dor nas pernas (ocasionadas por longos períodos sentados e curtos períodos andando), os fabricates de cadeiras de escritório decidiram implantar o método de Jefferson/Darwin: CADEIRAS COM RODINHAS!!!!

Uma pessoa contente em sua cadeira giratória
Deixando a parte histórica de lado, o fato é que as cadeiras giratórias foram feitas para pessoas preguiçosas. Sim. E eu sei que você é extremamente preguiçoso, não adianta fingir u.u
Pensem comigo: a partir do momento em que você tem uma cadeira giratória, você NÃO TIRA A BUNDA DELA PARA NADA! Você usa as mágicas rodinhas barulhentas e imundas para ir buscar papéis, pegar algo que caiu, ficar brincando de rodar e etc. Atire a primeira pedra aquele que nunca foi até a cozinha na cadeira de rodinhas (salvo se você não tiver contato com a dita-cuja cadeira).
No entanto, a preguiça não é de todo ruim. Na verdade, pessoas preguiçosas são realmente admiráveis. Vou listar a seguir cinco motivos... ah, não. Tô com preguiça.
Mas, como diz a famosa frase de Bill Gates:


Bom gente, é isso. Matutando será a nova coluna do blog, e será postada quando me der vontade e me faltar preguiça. Serão matutações sobre nenhum assunto em especial (exatamente como esse post) e sem muito sentido (nada nessa vida faz sentido).
Espero que tenham gostado. Aliás, 98% do texto acima é verídico, então vocês aprenderam um pouco sobre a história das cadeiras de escritório comigo. Me agradeçam depois! :)

terça-feira, 5 de março de 2013

A Aprendiz, de Trudi Canavan

Título original: The Novice
Autora: Trudi Canavan
Editora: Novo Conceito
É bom? ★★★★★
Páginas: 544
Sinopse: Sozinha entre todos os aprendizes do Clã dos Magos, somente Sonea vem de uma classe menos privilegiada. No entanto, ela ganhou aliados poderosos, como Lorde Dannyl, recentemente promovido a Embaixador. Ele terá, agora, de partir para a corte de Elyne, deixando Sonea à mercê dos boatos maliciosos e mentirosos que seus inimigos continuam espalhando... até o Lorde Supremo entrar em cena. Entretanto, o preço do apoio de Akkarin é alto porque, em troca, Sonea deve proteger seus mistérios mais sombrios. Enquanto isso, a ordem que Dannyl está obedecendo, de buscar fatos sobre a longa pesquisa abandonada de Akkarin sobre o conhecimento mágico antigo, o está levando a uma extraordinária jornada.


Muita gente amou e muita gente odiou O Clã dos Magos. Sou do feliz grupo que gosotu da história, então sou suspeita para falar desse livro.

A Trilogia do Mago Negro é uma história de ação, aventura e muita magia. Não chega a ser um dos melhores livros que já li, mas gosto bastante da história e realmente acho que as pessoas deviam dar uma chance ao livro.

Mas até entendo os receosos: os livros são enormes (o último, O Lorde Supremo, tem o dobro do tamanho do livro um, que já tem quase 400 páginas) e as capas são bem bizarras. Digo, não são feias, mas são bizarras. Pronto, falei.

Mas enfim, A Aprendiz dá sequencia ao livro O Clã dos Magos. No livro um nós nos deparamos com Sonea, um garota favelada que descobre ter poderes e, portanto, pertencer ao famoso e temido Clã dos Magos de Imardin.



Kit divoso, como livro, marcador e uma caixinha super linda!
Como não tenho habilidade suficiente para fazer um trabalho
artesanal desse nível, minha caixinha ficou bem feia #xatiada
Depois de acontecimentos realmente malucos (sequestros, mortes e afins), no segundo livro Sonea vai para o Clã e começa a se adaptar a uma nova vida, regras e estudos de magia. E, além de ter que aprender a usar e controlar seus poderes, Sonea tem que lidar com colegas de classe preconceituosos, que a odeiam e excluem de toda e qualquer tarefa por ela ter nascido na favela, e com o terrível segredo que o Lorde Supremo Akkarin esconde.

Cheio de mistérios, intrigas e revelações, A Aprendiz é uma sequencia muito boa para o livro O Clã dos Magos. Quem gosta de magia vai se deliciar com esta leitura.


Eu já estou lendo O Lorde Supremo e... vou me conter. Sério. AH MEU DEUS EU TENHO QUE ME CONTER!!!!

Booktrailer:



Trilogia do mago negro:
1 - O Clã dos Magos (The Magician's Guild)
2 - A Aprendiz (The Novice)
3 - O Lorde Supremo (The High Lord)


  

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

5 razões pelas quais você deve largar tudo o que está fazendo e ir ler As Vantagens de Ser Invisível


Oi Galerinha, como estão?
Eu não ia fazer esse post hoje (provavelmente eu nunca ia fazê-lo, mas estava entediada e resolvi fazer algo de bom na minha vida), mas as circunstâncias foram favoráveis. E, como eu já vi o filme, irei ilustrar esse post com cenas fofas/engraçadas/deprimentes do longa. Mas deixo bem claro que, neste post, estou recomendando mais especialmente o livro, não o filme (a pesar de ele ser bem legal e você ter a obrigação de assistir).
A questão é que eu li esse livro emprestado. Já o queria há algum tempo, mas só consegui lê-lo depois que minha amiga comprou e fez a bondade de me emprestar. Durante a leitura eu quis sublinhar metade do livro, de tantas citações legais e emocionantes que tem nele. Mas como o livro não era meu tive que conter meus impulsos de estragar uma obra T.T
Mas, quando terminei de ler o livro (em uma única tarde, 224 páginas de puro amor <3), enviei um e-mail aos meus pais. Não vou postar o e-mail aqui por que é longo e chato, mas citarei algumas coisas que escrevi para eles aqui.

 

Um pequeno resumo do livro, antes de tudo:
As vantagens de ser invisível conta a história de Charlie, um garoto que está no primeiro ano do ensino médio e cujo amigo cometeu suicídio recentemente. Arrasado por sequer saber o motivo, Charlie sente que sua vida é marcada por perdas e dor: primeiro a de sua tia e agora a de seu único amigo. No começo do ano letivo Charlie acaba conhecendo Patrick e Sam, dois irmãos por consideração, e todos os amigos deles. Além de um professor de inglês que lhe empresta ótimos livros. Com uma turma nova, Charlie aprende a viver a vida, ao invés de assistir a vida dos outros.
Agora vamos ao MOTIVOS!

"Você acha que se as pessoas souberem o quão louco você realmente é,
ainda falariam com você?"
#1 - Charlie é um bobão, como todos nós
Todos nós somos bobões, mas os níveis de bobisse variam de um para outro. Charlie é, na realidade, um completo bobão. Aquele bobão crônico, sem cura mesmo. E acho que foi por isso que me identifiquei tanto com ele, pois sou um bobona de marca maior. O Charlie chora por motivos bobos, fala a verdade sem ter medo (em muitos momentos ele simplesmente não percebe o que a verdade vai causar) e divaga muito. Especialmente no livro, ele começa a falar do professor da escola dele que é legal e termina numa crise de tristeza por que a tia dele morreu.

"Por que eu, e todos que eu amo, escolhem pessoas que nos tratam
como lixo?"
"Nós aceitamos o amor que pensamos merecer"
#2 - Diálogos filosóficos/sem sentido
O livro é recheado dos mais variados tipos de conversa, grande parte não fazendo muito sentido. Mas são diálogos legais, engraçados, muitas vezes você vê que aquilo ali, que está acontecendo no livro, poderia muito bem acontecer com você. Mas você acaba percebendo que, como o Charlie, está assistindo a vida, não vivendo ela. Charlie é um expectador, ele ouve, ele guarda, ele entende. Esse livro nos mostra a jornada de Charlie deixando de ser um expectador para se tornar a estrela de sua própria vida. E todas as conversas que ele tem (principalmente com o professor dele) sempre tem algo que nos faz refletir. Afinal, você realmente é o protagonista da sua vida? Ou tudo gira em torno dos seus estudos/trabalho/filhos/etc?

"Eu não sei se você já se sentiu assim. Essa vontade de dormir por mil anos.
Ou simplesmente não existir. Ou apenas não ser alertado de que
você existe. É por isso que eu tento não pensar. Eu só quero parar esse ciclo."
#3 - É triste, só que não
Este livro está recheado das famosíssimas questões existenciais. Mas elas vão além de "quem sou eu?", "o que quero da vida?" ou "o que irei almoçar hoje?" (parafraseando Douglas Adams). Stephen Chbosky, com seu livro, trata de questões como "eu realmente quero viver?", "isso vale a pena?" e "quanto tempo eu aguento sofrer?". Charlie tem depressão e é ansioso. Quem sofre de ansiedade como eu sabe como é pensar demais em coisas que você não quer. Por mais que aquilo te dê ideias ruins ou vontade de fazer coisas ruins, você não consegue controlar sua mente. Você não consegue parar de pensar. E Charlie pensa muito, em muitas coisas. E, em muitos momentos, você sente a tristeza dele, e você entende pelo que ele passa. Poxa, o cara é sozinho, o melhor amigo dele morreu e tudo o que ele quer fazer é ser feliz. Mas, mesmo com um alto teor de tristeza, o livro é divertido, você se pega sorrindo em vários momentos. Você quer viver aquilo. Afinal de contas, você PODE viver aquilo. Charlie é como todos nós bobões, por isso muita gente se identifica com ele.

"Você poderia escrever sobre nós" - "Isso! Dê o nome de 'A Vadia e o Falcão' e
nos faça solucionar crimes!"
#4 - Faz menções a livros excelentes
Charlie gosta de escrever e cogita muito escrever um livro (depois do milagroso professor sugerir que ele o faça). No entanto, todo mundo sabe que um bom escritor é, antes de tudo, um ávido leitor. Ao longo do livro, o professor de inglês de Charlie empresta para ele vários livros da literatura americana. Alguns eu já conhecia, mas o fato é que TODOS entraram para minha lista de desejados. Os livros são esses:

Uma Ilha de Paz - John Knowles
Walden - H.D. Thoreau
O Sol é para Todos - Harper Lee
O Grande Gatsby - F. Scott Fitzgerald
Peter Pan - J. M. Barrie
A Nascente - Ayn Rand
Hamlet - William Shakespeare
Almoço Nu - William S. Burroughs
Este Lado do Paraíso - F. Scott Fitzgerald
O Estrangeiro - Albert Camus

"E nesse momento eu jurei que éramos infinitos"
#5 - Você se sente infinito
Acho que "eu me sinto infinito" é a máxima deste livro. Todo mundo conhece essa frase, mas pouca gente entende. Na mesma proporção em que John Green diz que "alguns infinitos são maiores que outros", Stephen Chbosky afirma que, mesmo assim, "todos somos infinitos". E você acaba se sentindo infinito depois de ler. Você se sente maior, mais poderoso, mais você mesmo. Por que nossa vida gira em torno de buscar quem somos. Um livro não pode mostrar quem você é, mas pode te fazer realmente pensar a respeito.


Em uma folha de papel amarelo com linhas verdes
ele escreveu um poema
E o intitulou "Chops"
porque era o nome de seu cão
E era o que estava em toda parte
E seu professor lhe deu um A
e uma estrela dourada
E sua mãe o abraçou à porta da cozinha
e leu o poema para as tias
Era o ano em que o padre Tracy
levava todas as crianças ao zoológico
E ele deixou que cantassem no ônibus
E sua irmãzinha tinha nascido
com unhas minúsculas e nenhum cabelo
E sua mãe e seu pai se beijavam tanto
E a garota da esquina mandou para ele
um cartão de Dia dos Namorados assinado com vários X
e ele teve de perguntar ao pai o que significava X
E seu pai deixou que ele dormisse na sua cama à noite
E era sempre lá que ele dormia
Em uma folha de papel com linhas azuis
ele escreveu um poema
E o intitulou "Outono"
porque era o nome da estação
E era o que estava em toda parte
E seu professor lhe deu um A
e o pediu para escrever com mais clareza
E sua mãe não o abraçou à porta da cozinha
por causa da pintura nova
E as crianças disseram a ele
que o padre Tracy fumava cigarros
E largava as guimbas no banco da igreja
E às vezes elas faziam buracos
Que era o ano de sua irmã usar óculos
com lentes grossas e armação preta
E a garota da esquina riu
quando ele pediu para ver Papai Noel
E os garotos perguntaram por que
a mãe e o pai se beijavam tanto
E seu pai não o cobria mais na cama à noite
E seu pai ficou furioso
quando ele chorou por isso.
Em um pedaço de papel de seu caderno
ele escreveu um poema
E o intitulou "Inocência: Uma Questão"
porque a questão era sobre uma garota
E isso estava em toda parte
E seu professor lhe deu um A
e um olhar muito estranho
E sua mãe não o abraçou à porta da cozinha
porque ele nunca o mostrou a ela
Foi o primeiro ano depois da morte do padre Tracy
E ele esqueceu como terminava
o Creio em Deus Pai
E ele pegou a irmã
se agarrando na varanda dos fundos
E sua mãe e seu pai nunca se beijavam
nem mesmo conversavam
E a garota da esquina
usava maquiagem demais
O que fez ele tossir quando a beijou
mas ele a beijou mesmo assim
porque era a coisa certa a fazer
E às três da manhã ele se aninhou na cama
seu pai roncava alto
É por isso que no verso de uma folha de papel pardo
ele tentou outro poema
E o intitulou "Absolutamente Nada"
Porque era o que estava em toda parte
E ele se deu um A
e um corte em cada maldito pulso
E se encostou na porta do banheiro
porque nessa hora ele não pensou
que poderia alcançar a cozinha.