sexta-feira, 15 de julho de 2016

Herdeira do Fogo, de Sarah J. Maas

Herdeira do FogoAutora: Sarah J. Maas
Título original: Heir of Fire
Editora: Galera Record
É bom?: ★★
Páginas: 518
Sinopse: Celaena ressurge das cinzas ainda mais forte e letal. E parte em uma jornada em busca de uma obscura verdade: uma informação sobre sua herança e seus antepassados que pode mudar sua vida e o futuro de dois reinos para sempre. Enquanto isso, forças sinistras começam a despontar no horizonte e têm planos malignos para dominar o seu mundo. Agora, depende de Celaena encontrar coragem para enfrentar tais perigos, além de seus próprios demônios, e fazer a escolha mais difícil da sua vida.





Não sei exatamente como me sentir em relação a Herdeira do Fogo. Foi uma leitura conflituosa, e ao mesmo tempo em que haviam momentos em que eu estava adorando a leitura, havia outros em que eu queria pular algumas partes de tão chatas e quase cheguei a abandonar o livro em alguns momentos.

Eu gostei muito do primeiro livro, amei o segundo, mas quase não tive coragem de terminar o terceiro. Não sei como a Sarah J. Maas conseguiu criar essa inconsistência entre um livro e outro, mas vou tentar retomar tudo aquilo que gostei e não gostei no livro nessa resenha, que pode conter spoilers dos livros anteriores.

O primeiro livro de Trono de Vidro foi divertido, um livro com elementos fantásticos e uma trama interessante, uma leitura rápida e divertida. Sendo o primeiro livro, não teve muito aprofundamento na trama ou nos personagens, mas eu realmente gostei do começo da saga. Em Coroa da Meia-Noite, Maas conseguiu evoluir – e muito – as personagens principais (Celaena, Chaol e Dorian), dando um conflito diferente para cada um, evoluindo a personalidade deles, e isso me fez amar o livro (além de uma trama de tirar o fôlego que não te deixava parar de ler).

Como um livro tão bonito pode ser tão ruim?
Quando comecei o terceiro livro, estava cheia de expectativas, e talvez isso tenha prejudicado minha leitura até certo ponto. Eu esperava que Herdeira do Fogo seguisse a mesma linha do livro anterior, ou que até fosse melhor que o anterior, mas minhas expectativas foram destruídas logo no início.

Primeiro de tudo, Maas introduziu algumas personagens novas na trama, e dividiu a narrativa em quatro pontos de vista: 01) Celaena e sua jornada no continente feérico, 02) Chaol e Aedion trabalhando juntos por Celaena/Aelin, 03) Dorian e Sorscha, uma curandeira que o ajuda com seus poderes e é seu novo interesse romântico e 04) Manon, uma Bruxa de Dentes de Ferro, contratada junto com outros clãs de bruxas para lutar pelo Rei de Adarlan.


Aelin e Aedion quando crianças. | Dorian e Chaol quando crianças.

Ao mesmo tempo em que algumas das personagens novas eram interessantes, outras eram chatas e seus capítulos eram tediosos e longos demais. Mas o pior de tudo era: você lê um conflito interessante acontecendo no capítulo 1, por exemplo, daí o capítulo acaba num momento crítico, você quer saber o que acontece em seguida mas, infelizmente, os três capítulos seguintes são do ponto de vista de outro personagens, e você tem que ler umas cinqüenta páginas até voltar para o personagem do capítulo 1, e quando finalmente chega lá sua ansiedade e emoção já acabaram. Isso aconteceu durante o livro todo.

O pior de tudo é que, como se não bastasse a Maas ter introduzido várias personagens chatas, ela conseguiu tirar o charme e emoção das personagens já existentes. Dorian, personagem que eu não gostei no primeiro livro, ganhou um desenvolvimento muito bom no segundo livro, tanto por causa de seu crescimento como pessoa quanto pelo fato de ele ter magia. Eu adorei o Dorian no segundo livro. Nesse terceiro, ele se tornou uma personagem chata, e seu arco se resumiu a ele se apaixonar perdidamente por uma personagem nova muito chata e não fazer nada além disso.

Nos momentos em que acontecia alguma luta ou algo de fato interessante, a autora estendia esse acontecimento até ele se tornar tão tedioso que eu praticamente pedia para o capítulo acabar. Isso aconteceu principalmente nos capítulos de treinamento (brigas sem sentido) de Celaena.


Rowan nadinha vs. Nehemia Rainha (sdds).

E eu detestei o Rowan. Eu queria muito que Chaol e Celaena ficassem juntos, mas não odiei Rowan por ele ser um potencial interesse romântico para Celaena no futuro. A questão é que ele é um babaca abusivo, e eu jamais vou entender como alguém pode gostar dele e muito menos shippar ele com a Celaena. O cara bate na Celaena, não apenas por que ele está treinando ela, mas por que ele é um idiota que não sabe a diferença entre uma luta com regras e obediência, onde a luta serve para evoluir o corpo e a mente, e uma briga idiota entre duas pessoas que se odeiam. E as lutas (ou melhor, brigas em que Celaena só apanha por ser pelo menos um milênio mais jovem – e, consequentemente, um milênio menos experiente – do que Rowan) me davam nos nervos, não era uma luta com finalidade de aprendizado, era só Rowan querendo inflar seu ego e mostrar como ele era superior. Como se não bastasse, ele a todo momento dizia que Celaena era uma idiota inútil, uma covarde, que preferia que ela morresse, entre outras coisas. Ele ainda toca nas feridas psicológicas dela constantemente, o que me fez ter mais ódio ainda dele. Nunca vou aceitar o Rowan como mocinho, muito menos como interesse amoroso da Celaena.

Manon Bico Negro, umas das novas personagens da trama.
Mas o livro não foi de todo ruim. A pesar de ser em grande parte uma leitura lenta e, sim, tediosa, houveram momentos interessantes e acontecimentos importantes que com certeza irão moldar a série. Eu gostei de Aedion, primo de Celaena introduzido nesse livro, a pesar dos capítulos dele serem muito chatos. Eu gostei de Manon e das bruxas, mas alguns momentos do arco dela eram muito tediosos e eu pulei, sim, uns dois ou três capítulos dela. Foi uma pena a autora não conseguir manter o ritmo dos livros anteriores.

Eu não gostei deste livro, sinceramente. Eu realmente pensei em abandonar várias vezes, principalmente do meio para o final. No entanto, as últimas cinqüenta páginas do livro foram interessantes, muita coisa importante aconteceu e eu terminei o livro com a sensação de que queria ler o próximo, mas não agora. Eu definitivamente irei ler Rainha das Sombras um dia, mas não vou comprar agora (principalmente por que está quase 50 reais em praticamente todas as lojas online). Talvez eu precise dar um tempo desta série antes de encarar um livro de mais de 600 páginas que eu posso não gostar.

Resumindo, me decepcionei. Mas ainda tenho fé da série.


   

 Empire of Storms   

4 comentários:

  1. achei hoje um lugar pra comprar, mas meu bolso n aguenta o preço oferecido!

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    1. pela qualidade do livro nem vale a pena :p

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  2. gostei muito da sua resenha,mas nao achei o Rowan abusivo,pois a Celaena estava no fundo do posso,ele nao estava so treinando a Celaens,ele precisava quebrar ela para ela voltar a ser cm antes.e tbm a celaena nunca gostou q alguem a tratasse como uma boneca de porcelana.o Rowan era o que faltava para a Celaena voltar a agir como a Assassina de Ardalan,coisa que ela nao estava fazendo.

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    1. Eu acredito que o Rowan, pelo menos a princípio, deveria ser o professor de Celaena. Ela é uma guerreira, uma assassina, mas agora quer ser rainha. Quer governar Adarlan. Poderes e habilidades mágicas requerem treino e disciplina, não ódio desbravado, e era isso que Rowan fazia: insistia que Celaena era uma inútil e achava que isso iria fazer com que ela melhorasse. Não acho que ele deveria tratá-la como boneca de porcelana, mas como uma pessoa muito mais jovem que ele e que não possui treino nem disciplina. Poderia usar a raiva, mas ensinando Celaena a controlá-la. Poderia ensiná-la a ser rainha através da sabedoria, compaixão, e até mesmo através de escolhas difíceis. Não precisava entrar em atrito com ela, não precisava brigar com ela, e ele foi sim abusivo. Um homem com sei lá quantas centenas de anos deveria ser mais sábio e menos violento sem causa. Violência faz parte da natureza humana, e com certeza far parte da natureza élfica, mas violência e raiva podem ser controlados e se tornarem luta justa, disciplina e conciliação de sentimento.

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