quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Os 10 melhores livros de 2014


Olá, meus jovens!
Primeiramente, feliz natal a todos! Espero que todos estejam ganhando vários livros de presente :B hehe
Com o fim do ano se aproximando eu decidi fazer uma lista com os dez livros mais legais que eu li em 2014. Eu reli muitos livros esse ano (28, pra ser mais exata), então nessa lista só entrarão os livros que eu li pela primeira vez. Fiz um post parecido no Dia do Leitor em 2012, e também pretendo nos próximos dias fazer um post com todos os livros que li em 2014, pois fiz um post assim em 2013.


10º Lugar - O Diário da Mariposa, de Rachel Klein

O Diário da Mariposa foi um livro completamente surpreendente para mim. É um livro cheio de aspectos que me agradam num bom drama/livro paranormal, e por isso ele conquistou o décimo lugar. Se quiser saber mais sobre o livro, leia minha resenha sobre ele e sua adaptação cinematográfica.


9º Lugar - O Último Sacrifício, de Richelle Mead

Sério gente, quando comecei a ler Academia de Vampiros eu jamais imaginaria que ia gostar tanto. Essa série toda é simplesmente perfeita, e eu acho que é mais do que a obrigação de qualquer pessoa ler Vampire Academy, pois essa série tem romance, ação, drama, aventura, partes sobrenaturais, mitologia vampírica, fantasia, magia, luta de bem vs. mal, personagens russos e uma protagonista simplesmente INCRÍVEL. 
O Último Sacrifício é o último livro da série e, na minha opinião, o melhor. Ele fecha esse arco da vida dos personagens de forma fantástica e, nossa, eu não consegui parar de ler este livro (que é enorme) e terminei em poucos dias.
Super recomendo Vampire Academy.


8º Lugar - As Crônicas de Nárnia, de C. S. Lewis

Cara, eu jamais imaginaria gostar de Nárnia! Eu nunca fui muito fã de livros de fantasia épica (motivo pelo qual nunca li O Senhor dos Anéis), e não esperava muito desse livro, Por ser fantasia e infantil eu imaginava que não ia gostar nem um pouco e que logo deixaria de lado. Mas a verdade é que, desde o primeiro ao último livro das Crônicas de Nárnia, foi quase impossível parar de ler!
C. S. Lewis escreveu uma saga épica, em todos os sentidos, e Nárnia se tornou uma das minhas histórias favoritas. Quando eu tiver filhos irei ler este livro para eles, pois acho que toda criança merece sonhar com um mundo mágico cheio de animais falantes e que tem postes de iluminação brotando do chão.


7º Lugar - Deuses Americanos, de Neil Gaiman

Neil Gaiman é um escritor simplesmente foda, e qualquer coisa que ele escreve é de exímia perplexidade e incomparável genialidade. Deuses Americanos é um livro com uma história TÃO incrível que nem parece uma sátira aos dias de hoje. É um livro tão bom que você lê e nem percebe como as coisas nele podem ser muito reais, de uma forma menos maluca. Neil Gaiman é um gênio, sem mais, e Deuses Americanos é seu legado.


6º Lugar - A Sombra da Serpente, de Rick Riordan

Eu sou fã de todos os livros do tio Rick, mas eu AMO As Crônicas dos Kane. Muita gente esquece que essa trilogia dele existe e fica pagando pau para Os Heróis do Olimpo, mas gente, mitologia egípcia É LEGAL PRA CARAMBA! Eu não conhecia nada da mitologia do antigo Egito e nem me interessava pelo assunto, mas depois de ler As Crônicas dos Kane eu mudei drasticamente de ideia. O terceiro e último livro da saga dos irmãos Kane ganha o sexto lugar nos favoritos de 2014, pois é um livro simplesmente INCRÍVEL! Poucas séries tem um final tão satisfatório quanto essa.


5º Lugar - Will & Will, Um Nome, Um Destino, de John Green e David Levithan

Gosto do John Green já faz tempo, pois acho que seus livro fazem um ótimo trabalho em representar os adolescentes. Mas lendo WIll & Will eu só consigo pensar: MANO, QUE LIVRO INCRÍVEL! David Levithan e John Green fizeram um trabalho FABULOSO com este livro, pois ele tem um taxa altíssima de representatividade. Ele te uma personagem feminina inteligente e com gostos específicos que não tiram sua feminilidade (Jane), dois personagens homossexuais, sendo um extremamente obeso (Tiny) e outro com depressão (Will) (sério, acho importante falar de depressão em livros adolescentes, pode ajudar muita gente por aí a perceber que não está sozinha e que seus problemas tem solução). Tem também, como é tipíco dos livros do John Green, um cara nerdão carismático (Will), quebrando o estigma que toda pessoa inteligente e mais "certinha" é obrigatoriamente entediante.
Enfim, fora os personagens incríveis é claro que a história não deixa nem um pouco a desejar. Adoro este livro e, a propósito, estou relendo ele agora =D


4º Lugar - Princesa Mecânica, de Cassandra Clare

DEPOIS DE LER ESSE FINAL É IMPOSSÍVEL DIZER QUE ESSE LIVRO NÃO FAZ PARTE DA SUA LISTA DE FAVORITOS.
Tia Cassie sempre teve o poder de escrever livros incríveis, mas esse passou dos limites. Como um ser humano pode organizar várias palavras aleatórias e dar um sentido tão especial para cada uma delas? Como? COMO???
Eu amo esse livro.


3º Lugar - Cidade do Fogo Celestial, de Cassandra Clare

Depois de tantos anos acompanhando essa série o final finalmente chegou a nós, Caçadores de Sombras. Eu leio Os Instrumentos Mortais desde 2011, e o final dessa série quebrou meu coração em tantas partes que nem consigo descrever todas aqui. Eu amei este livro com toda a minha alma, amei cada frase dele, e não consegui aceitar que este foi o fim da história de Jace e Clary, de Simon e Isabelle e de Alec e Magnus. Não quero acreditar que uma história absurdamente perfeita como essa teve fim. Agora só me resta aguardar para rever esses personagens incríveis novamente em The Dark Artifices, a nova série dos Shadowhunters da Tia Cassie. Leia aqui meu post surtando por causa do fim da saga.
Obrigado por um livro tão incrível, Cassandra Clare.


2º Lugar - Artemis Fowl, O Último Guardião, de Eoin Colfer

Artemis Fowl é outra série que eu tenho acompanhado desde 2011 e NUNCA ENQUANTO EU VIVER vou encontrar uma história tão louca e hilária quanto essa. Eu amo Artemis Fowl, meu sonho é encontrar com o autor e dar um abraço nele, meu sonho é assistir o filme de Artemis Fowl no cinema, meu sonho é ver esses livros ganhando o reconhecimento que merecem. 
O Último Guardião encerra a série, e não podia ser um final melhor. Eu chorei tanto, eu ri tanto... Jamais esquecerei esses personagens. Artemis, Holly, Butler, Palha, Raiz, Potrus, Juliet e tantos outros... Se eu pudesse ler novamente só para sentir de novo o que eu senti pela primeira vez lendo essa série eu não aceitaria, pois esquecer como Artemis Fowl é incrível está fora de questão.


1º Lugar - Allegiant, de Veronica Roth

Terminar de ler esta trilogia foi exatamente como um soco no estômago. Eu jamais imaginaria me apaixonar tanto por uma história quanto me apaixonei por Divergente. Os personagens são absolutamente humanos, com seus defeitos e qualidades, e todos eles são tão reais que eu quase podia imaginá-los como gente de verdade. E foi por isso que terminar de ler este livro me machucou tanto. Era como ver meus amigos de verdade morrendo, era como ver meus amigos de verdade tendo que enfrentar coisas terríveis, mas também foi como ver meus amigos de verdade crescendo e aprendendo com a vida, e é por isso que eu não consigo ver Allegiant como um livro ruim, pois para mim foi um final tão realista que, honestamente, poderia acontecer de verdade.
Eu quero muito conhecer a Veronica só para dar um abraço nela e dizer que a história da Tris foi muito importante para mim e que eu jamais esquecerei das coisas que ela me ensinou.
Este foi o melhor livro de 2014, eu o li em janeiro e nenhum livro foi melhor que ele. Nenhum.
Meu post surtando sobre o filme de Divergente, se você tiver vontade de ler.


Menções honrosas

Estes cinco livros foram livros que eu realmente, REALMENTE gostei, mas que não entraram na lista dos 10 melhores. Mas tudo bem, queridos livros, vocês foram incríveis e eu aprendi muito com cada um de vocês, então NÃO FIQUEM TRISTES!
Em ordem aleatória:
Dezenove Luas, de Kami Garcia e Margaret Stohl, pelo final incrível que deu à série Beautiful Creatures, que eu tenho acompanhado há dois anos.
Todo Dia, de David Levithan, por ser um romance maravilhoso sobre identidade de gênero.
Serena, de Ian McEwan, por ter uma história linda sobre um escritor que não precisou fazer sucesso para ser incrível (me deu muitas esperanças);
Louco aos Poucos, de Libba Bray, por me fazer rir em todas as suas 500 páginas e por me ensinar uma incrível lição sobre como aproveitar a vida.
A Revolução dos Bichos, de George Orwell, por ser uma luz no meio da escuridão na época em que eu estava tentando aprender sobre política.

É isso, pessoas lindas, espero que tenham curtido o post! Já leram algum livro da lista? O que acharam dos livros?
Beijos, e até o próximo post! :*

P. S.: Agora que estava revisando o post reparei que, dos 10 livros, apenas Will & Will não tem nenhum tom alaranjado na capa hehe :B

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Ouija - O Jogo dos Espíritos

Ouija - O Jogo dos Espíritos (Ouija) - Poster / Capa / CartazTítulo: Ouija - O Jogo dos Espíritos
Título original: Ouija
Tempo de duração: 89min
Direção: Stiles White
Roteiro: Juliet Snowden e Stiles White
Gênero: Terror e suspense
É bom? ★★★★★
Sinopse: Cinco amigos devem enfrentar seus piores medos quando despertam os poderes de uma tábua que conecta esse mundo com o dos espíritos.

Ouija éum filme de terror que estreou recentemente e eu, como amante das grandes obras de terror e suspense, precisava assistir o filme. Confesso que esperava pouco do filme, mas ele também não ultrapassa nenhuma grande expectativa que outra pessoa pudesse ter.

O filme conta a história de Laine, cuja melhor amiga, Debbie, foi encontrada morta, enforcada com os pisca-pisca do seu quarto, em um aparente suicídio. Todos os amigos de Debbie estão extremamente enlutados com o ocorrido, mas tudo parece pior para Laine, já que Debbie era sua melhor amiga desde que eram crianças, e também pelo fato de que Laine passou na casa de Debbie algumas horas antes de sua morte.


Os pais de Debbie decidem viajar para ficar com outros membros da família e encarregam Lanie de cuidar da casa deles por um tempo, regando as plantas, verificando a cobertura da piscina, etc. Numa das visitas par conferir a casa de Debbie, Lanie encontra uma tábua Ouija com a qual elas costumavam brincar quando eram crianças.

Lanie se sente extremamente culpada por não ter impedido o suicídio da amiga, então ela decide chamar sua irmã, Sarah, seu namorado, Trevor, o namorado de Debbie, Peter e sua amiga, Isabelle, para jogar com a tábua Ouija e tentar entrar em contato com Debbie.

Tem alguém aí?
Mas é ÓBVIO que tudo dá absolutamente certo. Debbie responde, todos dizem que sentem falta dela, etc., até que tudo, mais obviamente ainda, começa a dar errado. As luzes começam a acender e apagar sozinhas e a casa começa a fazer barulhos misteriosos e aleatórios. Como em qualquer bom filme de terror, todos se voluntariam para Ver O Que Está Acontecendo, e é então que Alguém empurra Peter para um espelho, fazendo ele machucar a mão, o que é o suficiente para todos decidirem abandonar a casa (como se as luzes e os barulhos não tivessem sido assustadores, para começar).

O problema é que eles saem da casa, mas as coisas não param de acontecer. O espírito de Debbie segue cada um deles, escrevendo "Hi, Friend", ou "Oi, Miguxo" em lugares onde eles veriam. Todos concordam que Debbie quer reuni-los novamente, então os amigos decidem fazer uma nova sessão espírita na casa da amiga falecida.

Olá, Miguxooooo
Quando os amigos tentam entrar em contato com Debbie pela segunda vez tudo dá MUITO errado, pois eles percebem que, na verdade, não é Debbie quem está falando com eles, mas sim outra pessoa: o espírito de uma criança.

Nossos heróis vão embora, muito assustados, e acham que tudo acabou. Mas nada é tão simples assim, e quando uma verdadeira tragédia acontece, eles percebem que tem que continuar jogando para entender o que aconteceu com Debbie e, é claro, para salvar a vida deles mesmos.


Sinceramente, o filme poderia ter sido muito melhor. O filme tem uma história bem clichê, tipo: pessoa morre, amigos procuram por respostas, respostas são ruins, todos morrem, fim. Mas hoje em dia é realmente difícil fazer filmes sobre espíritos sem cair no clichê, então vou ressaltar alguns pontos bons do filme:

* O filme, mesmo tendo vários elementos clichês, não é chato de assistir, tendo cenas interessantes e alguns sustinhos marotos;

* O filme fala sobre as regras da tábua Ouija, que incluem: nunca jogue num cemitério, nunca jogue sozinho, e sempre diga "adeus". Na verdade, essa é a grande sacada do filme, pois tudo o que Lanie queria dizer para Debbie era um último "adeus";

* A carga emocional da história é bem explorada, e o roteirista deixou bem claro a relação de amizade que Lanie tinha com Debbie e o motivo pelo qual a morte da amiga a abalou tanto;

* É inegável que o filme foi bem produzido. A casa onde a maior parte do filme acontece é super assustadora e a fotografia e trilha sonora foram muito bem exploradas;

* A pesar do filme não fugir do comum em relação a roteiro, o desenvolvimento da trama tornou o filme legal de assistir, não enfadonho, então é um ótimo passatempo;

Agora, o único ponto fraco que importa:

* Que final foi aquele?? SPOILERS: Poder da amizade? Sério mesmo? PODER DA AMIZADE CONTRA UM FUCKING FASTASMA DE UMA MENINA SUPER PERTURBADA E ASSASSINA? Tá bom, senta lá, Cláudia.


Em resumo: o filme é legalzinho e pode te arrancar um ou dois sustos, mas não trás nada de especial. Se você tem medo de filmes de terror, mas por algum motivo quer começar a assistir, pode começar por esse, que tem trama simples e não é nem um pouco perturbador. Quem gosta bastante de filmes de terror como eu provavelmente não vai gostar tanto.

Até o próximo post õ/

...Adeus

Regra número três: sempre diga "adeus".

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

O Diário da Mariposa é um livro/filme surpreendentemente subestimado e incrivelmente bom (a seguir, motivos para ler/assistir)

O Diário da MariposaAutora: Rachel Klein
Título original: The Moth Diaries
Editora: Planeta do Brasil
É bom?: ★★★★★
Páginas: 336

Sinopse: Em um colégio interno nos anos 1960, uma garota acha que sua melhor amiga está sendo atacada por uma vampira - Ernessa, a menina nova no colégio. Entre terror psicológico e mortes suspeitas, o diário da protagonista prende a atenção do leitor, e apesar de sua narradora também não ser confiável, não conseguimos parar de nos perguntar: será Ernessa realmente um vampiro?






O LIVRO

Eu honestamente não dava absolutamente nada pra este livro. Minha história com ele começou quando eu estava na rodoviária em São Paulo com meu namorado, esperando o ônibus chegar, quando vi uma placa enorme que dizia FEIRA DE LIVROS POR 5 E 10 REAIS, e eu obviamente fui direto para esta feira. Chegando lá bati de cara com este livro, de capa simplesmente horrorosa, e então me lembrei vagamente de ter lido uma resenha que falava super mal do livro, e isso bastou para que eu decidisse comprá-lo (?) (era só R$10 mesmo). 
Cheguei em casa e, a pesar de ter vários livros para ler que já estavam na fila há anos (literalmente) eu não pude deixar de querer passá-lo na frente de todos os outros (por que eu não tenho auto-controle). Comecei a ler o livro e a única palavra capaz de descrever minha sensação é essa:

MASOQ

Eu não sei por que não tinha lido esse livro antes! Mas antes de falar todas as minhas impressões eu vou fazer uma pequena sinopse estilo sessão da tarde, por que não gosto muito da sinopse do livro. Lá vai: Em O Diário da Mariposa nós nos deparamos com uma jovem garota sem nome (a Mariposa) que vai estudar num colégio interno depois da morte do seu pai. A Mariposa tem uma melhor amiga, a Lucy, que é uma garota americana bem comum dos anos 60. Mas essa relação de amizade entre as duas é na verdade uma obsessão desmedida que a Mariposa tem pela menina. A Mariposa está contente com a perspectiva de viver com Lucy no colégio interno, mas sua fantasia começa a se desmontar quando Lucy se torna amiga de Ernessa, uma garota esquisita que é desconfortavelmente semelhante à própria Mariposa em vários aspectos.

Ernessa (Lily Cole), Lucy (Sarah Gadon) e Rebecca (Sarah Bolger) (nome da personagem no filme, mas no livro ela não tem nome)

O livro me prendeu. Muito. Tipo, a ponto de eu ficar super obcecada e ficar matutando sobre a história e o que aconteceria a seguir nos momentos em que eu não estava lendo. Perdi a conta de quantas vezes fiquei navegando pelo tumblr na tag "the moth diaries" e de quantas vezes assisti ao trailer do filme. Eu realmente fiquei vidrada na história.

Eu acredito que o que diferencia O Diário da Mariposa de outros livros de drama adolescente é que ele não tende ao lado otimista da vida, e a toda página você tem medo que outra tragédia aconteça com algum personagem. Desde o começo você já imagina que o final será triste ou trágico e fica se perguntando, afinal, o que acontecerá.
Logo no prefácio do livro a Mariposa se apresenta e diz que o que você lerá a seguir será seu diário de quando era adolescente, e que o psicólogo dela acreditava que o diário dela era interessante para ajudar outras garotas com transtorno de personalidade limítrofe a entender a condição, etc. O transtorno de personalidade limítrofe é parecido com um transtorno bipolar, mas pior (não sou psicóloga, google it).

Rebecca (a Mariposa)
Conforme você lê o livro você percebe que a autora fez um trabalho fantástico em traçar o perfil psicológico da Mariposa. Ela é uma personagem completamente obcecada por livros e pela amiga Lucy, com um senso de amizade distorcido, meio puxado para o lado doentio. A Mariposa não quer que Lucy tenha outras amigas, não quer que Lucy se afaste dela e ela cuida de Lucy como se a garota fosse sua filha. Ela ainda tem assuntos não resolvidos com a morte do pai, que era um poeta, e não consegue entender completamente os próprios sentimentos. Ela ama e odeia as pessoas facilmente, é capaz de mudar de opinião sobre vários assuntos depressa e às vezes sem motivo aparente e, quando se convence de algo, é quase impossível que mude sua opinião.
Fora os assuntos da própria Mariposa o livro aborda vários temas que são tabus, como drogas, sexo, automutilação, anorexia e bulimia e afins. Tudo isso numa história onde 99% das personagens são mulheres, todas muito diferentes umas das outras e com personalidades e problemas distintos. Um livro sobre diversidade feminina, afinal õ/

Ela nunca come.
Quando Lucy começa a passar mais tempo com Ernessa do que com ela, a Mariposa se sente ameaçada e começa a encontrar (mesmo onde não há) motivos para afastar as duas garotas. Ela acredita que Ernessa é uma má influencia para Lucy, pois a garota nunca come, não costuma conversar com as pessoas, fica trancada no quarto o tempo todo e consegue privilégios que outras meninas não conseguem (como não comparecer ao café da manhã ou faltar às aulas). O assunto sobre o qual a Mariposa mais gosta de falar é Ernessa e suas peculiaridades, e quando outra garota diz que ela está ficando louca a Mariposa simplesmente julga a pessoa como idiota e cega. Ela é bastante imparcial quando se trata de Ernessa.

O vampiro é uma figura bastante solitária.
Quando o professor de literatura da Mariposa pede para as alunas lerem Carmilla, uma história de terror gótico sobre uma vampira, que precede a publicação de Drácula (tendo Carmilla sido uma inspiração para Bram Stoker), a Mariposa se sente completamente obcecada pelo livro (tipo eu e o Diário da Mariposa). Ela acredita que Ernessa é uma vampira, e que está tentando sugar a vida de Lucy lentamente, roubando a amiga dela. Aos poucos a Mariposa vai encontrando "provas" de que Lucy é uma vampira, como o fato de que passa mal ao entrar na água, ela reconhece o cheiro de um necrotério, nunca come, Lucy deixa de usar sua cruz quando se torna amiga de Ernessa, etc.


Mas o que eu mais gostei no livro de verdade é o fato de que você não pode confiar na narrativa da Mariposa. Ela mente e tem uma visão distorcida dos fatos. Você conhece bem a Mariposa, mas não sabe nada com certeza sobre mais nenhum outro personagem. Todos eles estão distorcidos pela visão da narradora, que só escreve o que lhe é conveniente e altera informações para que sua narrativa seja mais consistente. Ela jamais aceitaria escrever algo elogioso sobre Ernessa, por exemplo. 
Durante o livro todo você não sabe se Ernessa é mesmo uma vampira ou se é apenas a paranoia da Mariposa atingindo novos patamares. Você não sabe se o que você está lendo é o que aconteceu mesmo ou um dos devaneios da autora. E isso foi uma sacada GENIAL da Rachel Klein, que conseguiu manter o suspense e o traço de terror psicológico até o final.


Outro aspecto do livro do qual gostei muito é que a autora retratou muito bem o preconceito religioso que os judeus sofriam nos anos 60. As únicas garotas judias no colégio interno são Ernessa e a Mariposa, e a própria Mariposa diz que isso é um motivo pelo qual muitas professoras não gostam dela e de Ernessa (tipo a professora de Educação Física, que nunca coloca a Mariposa nos times melhores e obriga Ernessa a realizar natação, que ela odeia).
Na verdade, a autora foi fantástica em reconstruir a década de 60 no contexto da história. Ela deve ter feito uma pesquisa e tanto.

O FILME

Título: Relação Mortal
Título original: The Moth Diaries
Tempo de duração: 1h22min
Direção: Mary Harron (Psicopata Americano)
Roteiro: Mary Harron e Rachel Klein
Gênero: Terror e suspense
É bom? ★★★★★
Sinopse: Baseado no romance homônimo de 2002, assinado por Rachel Klein, o filme segue Rebecca (Sarah Bolger), uma jovem de 16 anos que após o suicídio do seu pai entra para um colégio interno. Rapidamente ela se encanta com a sua colega de quarto, Lucy (Sarah Gadon), mas não entende o fascínio que Ernessa (Lily Cole) uma figura pálida, enigmática, melancolia, e com olhos hipnotizantes e fascinantes, exerce sobre ela. Aos poucos, Rebecca registra tudo o que acontece num diário e convence-se de que Ernessa é uma vampira.

No geral eu achei que a adaptação de O Diário da Mariposa foi muito bem feita, bastante fiel e, na minha opinião, deu um ótimo filme de suspense!
Como qualquer adaptação, nem tudo ficou igual. No filme a Mariposa ganhou um nome, Rebecca, o que já caracteriza uma mudança bem grande na perspectiva geral da obra. Outra mudança (que a principio eu não gostei, mas depois aceitei) é que o filme não se passa nos anos 60, mas sim na época em que foi produzido (2011-2012). Mas essa mudança não fica muito óbvia, e acho que a diretora preferiu assim pois dessa maneira seria mais fácil de conquistar o público jovem.

Algumas pessoas encontram grande alegria na perspectiva da morte.

Em relação ao elenco, só tenho elogios. A atriz que faz a Ernessa, Lily Cole, é completamente assustadora! É bonita, mas tem uma expressão facial que te deixa receoso. Talvez seja as sobrancelhas.

As atrizes que fazem a Rebecca e a Lucy, Sarah Bolger e Sarah Gadon, ficaram muito boas no papel. Todos os atores correspondiam bem ao personagem do livro, mas Ernessa era simplesmente espetacular. Com certeza Lily Cole era a atriz perfeita para o papel.


O filme se focou muito mais no tema da depressão e da automutilação e abordou pouco o tema das drogas (que no livro era mais explícito. Mas acho que isso aconteceu por causa da mudança da época da história, pois nos anos 60 as garotas tinham permissão dos pais para fumar cigarros na escola, por exemplo). Eu gostei bastante dessa mudança de foco, pois deu uma aura mais dark e gótica ao filme, que afinal é mais puxado para o terror e menos para o drama, quando o livro é o contrário.
Outro elogio que tenho a fazer à adaptação é que a diretora adaptou umas cenas do livro de forma INCRIVELMENTE FIEL, TIPO, MUITO FIEL, FICOU MUITO PERFEITO (sem dar spoilers, mas a cena em que a Ernessa canta uma cantiga infantil... MEU DEUS!). A diretora também colocou uns detalhes e diálogos exatamente iguais aos do livro, o que me deixou bastante contente.

O momento da morte é estático, ele te proporciona a mais prazerosa sensação.

Uma das poucas coisas que não gostei no filme em relação ao livro é que eles tentaram fazer a Ernessa parecer mais vampira do que devia, pois no livro tudo ficava com um ar de dúvida por causa da narração da Mariposa. Eles colocaram a personagem da Ernessa de um jeito bem mais assustador do que no livro, e isso perdeu um pouco do toque de terror psicológico do livro e transformou o filme num suspense.

Outra crítica negativa é que o filme perdeu quase completamente a carga filosófica. Por ter sido adaptado de forma mais adolescente todos os diálogos e monólogos que envolviam psicologia, poesia e filosofia se perderam. Em quase toda página de seu diário a Mariposa citava algum autor ou filósofo, baseando suas teorias em relação a Ernessa com frases e interpretações dos textos, mas isso não teve espaço no filme. Eu entendo o motivo, mas isso me deixou com a impressão de que ficou faltando algo.



Para finalizar, digo que o filme foi bastante fiel ao livro. No entanto, a autora (Rachel Klein) deixou várias pontas soltas para que nós, ávidos leitores, imaginássemos nós mesmo alguns aspectos que a Mariposa não esclareceu. Como a diretora não podia deixar o filme sem muitas explicações, até por que filmes são menos complexos que livros, ela usou a própria imaginação para preencher algumas lacunas.

Algumas vezes eu confundi isso como erro da adaptação, mas no final percebi que era mais questão de licença poética mesmo. Mas, é claro, é difícil substituir as coisas que você imaginou por coisas da imaginação de outra pessoa.
O Diário da Mariposa/Relação Mortal (por que trocaram o nome? POR QUE?) é, na minha visão, um livro/filme excelente, sobre drama adolescente que é REALMENTE drama, e não frescura, sobre suspense, terror psicológico e filosofia. Eu adorei o livro e pretendo lê-lo novamente em breve, e realmente gostei da adaptação.
Espero que depois dessa super resenha dupla eu consiga convencer alguém a ler esta magnífica obra ;)