quarta-feira, 12 de julho de 2017

Eu te Darei o Sol, de Jandy Nelson

Eu Te Darei o SolAutora: Jandy Nelson
Título original: I'll Give You the Sun
Editora: Novo Conceito
É bom?: ★★★★★ 
Páginas: 384
Sinopse: Noah e Jude competem pela afeição dos pais, pela atenção do garoto que acabou de se mudar para o bairro e por uma vaga na melhor escola de arte da Califórnia. Mal-entendidos, ciúmes e uma perda trágica os separaram definitivamente. Trilhando caminhos distintos e vivendo no mesmo espaço, ambos lutam contra dilemas que não têm coragem de revelar a ninguém. Contado em perspectivas e tempos diferentes, EU TE DAREI O SOL é o livro mais desconcertante de Jandy Nelson. As pessoas mais próximas de nós são as que mais têm o poder de nos machucar.


Só tive vontade de ler Eu te Darei o Sol pois já tinha lido O Céu Está em Todo Lugar, da mesma autora. Vou me limitar a esse primeiro parágrafo para brevemente comparar as obras: Jandy Nelson obviamente evoluiu em sua escrita, pois sua narrativa teve melhoras notáveis nesse livro, além de maior clareza de ideias indubitavelmente presente nesse texto. Os livros não são muito parecidos um com o outro, então nas faz sentido comparar mais profundamente, mas admito que, mesmo achando Eu Te Darei o Sol mais bem escrito e elaborado, ainda gostei mais de O Céu Está em Todo Lugar.

Eu te darei o sol conta a história de Noah. Noah tem uma irmã gêmea chamada Jude, e os dois sempre foram muito unidos. Noah tem 14 anos, é gay (não assumido) e seu objetivo de vida mais imediato é entrar para a escola de artes que sua mãe tanto ama. 



Eu gosto de aesthetics...
Eu te darei o sol conta a história de Jude. Jude tem um irmão gêmeo chamado Noah, e os dois não são nada unidos, pelo menos não mais. Jude tem 16 anos, estuda numa renomada escola de artes mas vive assombrada pela mãe morta e por escolhas ruins, e isso afeta sua arte.


Falando sério, o livro tem tanto Jude quanto Noah como narradores, em diferentes momentos da vida. Noah narra o passado, e em seus capítulos conta sobre suas relações com sua família, fala sobre seu primeiro amor e, é claro, sobre o significado que a arte tem para ele.

Quando chegamos em Jude, no entanto, ficamos sabendo do futuro nada promissor de Noah (através de Jude): a mãe deles morreu, Noah não entrou na escola de artes e está cada vez mais dentro do armário. As coisas não tem sido boas para Jude: antes uma garota muito feminina e popular, Jude se tornou uma reclusa, fechada em seu mundo supersticioso e com uma culpa irracional enraizada dentro de si.



Sinceramente, costumo odiar livros com mais de um ponto de vista pois detesto esperar para saber o que acontece com um personagem. Mas gostei da mudança de narradores nesse livro por dois motivos: 01) a autora soube dar uma voz única aos narradores. Noah e Jude soam diferentes e isso é perceptivo; 02) os capítulos não acabavam com suspenses. Eu não gosto de ficar sabendo de uma revelação na última página de um capítulo e ter que esperar 30+ páginas para saber mais sobre isso. Além de ficar com raiva do capítulo seguinte, você perde o interesse pelo suspense e, quando volta para ele, já perdeu o efeito. Mas nesse livro a autora equilibrou bem os capítulos, e por isso eu gostei da narrativa alternada.

Não vou me aprofundar demais na história, apenas quero dizer que Eu Te Darei o Sol é um belo livro sobre família, e senti isso pois tenho um irmão que amo muito e, apesar de não termos nada a ver com Noah e Jude, vi muito dá nossa relação neles. Além disso, o livro aborda temas como: abuso sexual, luto, sexualidade e perspectivas para o futuro. Foi uma leitura envolvente, e com certeza tirei algo desse livro para minha vida. 

Recomendo!

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Qual capa vocês preferem? Eu sinceramente prefiro a primeira, mais coloridinha :v

sábado, 8 de julho de 2017

Falando o Mais Rápido que Posso + Gilmore Girls Book Tag!


Olá, pessoal! Tudo bom? 

Hoje trago dois vídeos em um! No vídeo de hoje faço uma breve resenha de Falando o Mais Rápido que Posso, a biografia da Lauren Graham (a Lorelai de Gilmore Girls!) e faço a Tag de livros inspirada na série.


Espero que gostem!

Algumas fotos do livro:




A Gilmore Girls Book TAG foi criada pela Alyssa do blog Pucks and Paperpacks. Na TAG você escolhe um livro que se encaixe com a personalidade das personagens principais da série!

Lorelai - Um personagem com um senso de humor sarcástico ou perspicaz;
Rory - Seu clássico preferido;
Luke - Um livro que você ama secretamente, mas tem medo de admitir;
Lane - Um personagem musical;
Dean- Seu primeiro amor literário (pode ser um livro ou um personagem);
Sookie - Um livro que você devorou;
Jess- Um livro que você ama e que recebe muito hate;
Miss Patty - Um livro que foi arruinado pela hype;
Emily Gilmore - Um livro caro;
Paris - Um personagem tenso;
Richard Gilmore - A morte de um personagem que você nunca vai superar;
Logan - Um personagem que teve o maior crescimento;
Babette e Morey - Um casal que você não consegue ver não estando juntos.

Os livros que aparecem no vídeo são os aí embaixo, mas você consegue saber qual é o de cada personagem? akskaksaksa







Enfim pessoal, é isso por hoje. Espero que tenham gostado do vídeo! Até a próxima, cuidado com os dinossauros e don't let the muggles get you down!

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domingo, 2 de julho de 2017

Americanah, de Chimamanda Ngozi Adichie

Americanah Autora: Chimamanda Ngozi Adichie
Título Original: Americanah

Editora: Companhia das Letras
É bom?: ★★★★★ 
Páginas: 516

Sinopse: 
Lagos, anos 1990. Enquanto Ifemelu e Obinze vivem o idílio do primeiro amor, a Nigéria enfrenta tempos sombrios sob um governo militar. Em busca de alternativas às universidades nacionais, paralisadas por sucessivas greves, a jovem Ifemelu muda-se para os Estados Unidos. Ao mesmo tempo que se destaca no meio acadêmico, ela se depara pela primeira vez com a questão racial e com as agruras da vida de imigrante, mulher e negra. Quinze anos mais tarde, Ifemelu é uma blogueira aclamada nos Estados Unidos, mas o tempo e o sucesso não atenuaram o apego à sua terra natal, tampouco anularam sua ligação com Obinze. Quando ela volta para a Nigéria, terá de encontrar seu lugar num país muito diferente do que deixou e na vida de seu companheiro de adolescência. Chimamanda Ngozi Adichie parte de uma história de amor para debater questões prementes e universais como imigração, preconceito racial e desigualdade de gênero.


Terminei de ler Americanah essa semana, e não consigo parar de pensar nesse livro. Fiquei me perguntando se deveria ou não escrever uma resenha sobre ele, pois eu não tenho as mesmas vivências da autora e/ou das personagens desse livro. Mas penso que minha perspectiva de Amiga Branca que Entende (como a própria autora coloca) pode ser, no mínimo, uma curiosidade para quem quer ler o livro. Em determinado capítulo a protagonista fala, em um dos textos de seu blog, sobre os amigos brancos que entendem a situação dos negros e querem ajudá-los, emprestando suas vozes para calar os racistas, mas não para falar no lugar dos negros. Tentarei fazer isso.

Americanah conta a história de amor de Ifemelu e Obinze. O livro começa quando Ifemelu, depois de mais de uma década morando nos EUA, se cansa de sua profissão, de seu blog sobre justiça social e do namorado negro americano, Blaine, e decide voltar para a Nigéria, seu país natal. Ela vai ao cabeleireiro para trançar o cabelo e, a partir desse momento, reflete sobre toda a sua vida, desde quando era criança e adolescente morando em Lagos, capital da Nigéria, até quando se mudou para os EUA e procurava emprego, até tempos mais recentes. 


"Algo para se pensar quando a democracia está sendo testada é que,
quando algo é posto a prova, geralmente se torna mais forte".
Em suas memórias Ifemelu fala dos vários namorados que já teve, sobre sua descoberta do racismo na América, sobre os problemas e peculiaridades de sua família, e fala também sobre feminismo intersessional (aquele que dá foco em mulheres de todas as etnias, não só da branca, como infelizmente é comum de acontecer). É interessante ver o crescimento de Ifemelu como pessoa, é espetacular ver como ela descobre que é negra, e que, nos Estados Unidos, ser negro é algo ruim. No final de vários dos capítulos a autora coloca um post do blog pessoal de Ifemelu, no qual ela fala de várias facetas do racismo, algumas sobre as quais nós, brancos, às vezes não pensamos.

Além das memórias de Ifemelu, conhecemos também o passado de Obinze. Ele ganha menos foco, por não ser o protagonista, mas seus capítulos são interessantes, principalmente por ele não sofrer de machismo, como Ifemelu sofre, e por ver o racismo na Inglaterra, e não nos EUA.

"O racismo nunca deveria ter acontecido, então você não ganha
um biscoito por reduzi-lo".
Apesar de Ifemelu e Obinze serem as personagens principais da trama, há dezenas de outras personagens muito interessantes nesse romance, e todas são extremamente redondas e bem construídas, com vozes únicas. Acho primoroso quando um autor torna mesmo o personagem mais insignificante em alguém interessante de ler sobre.

Um aspecto interessante da obra foi a autora tratar a pele negra como a padrão, e explicar quando um personagem era branco. Explico: é muito comum, já reparei, que um autor branco descreva suas personagens brancas de várias formas diferentes, exceto pela cor da pele, mas que descreva as personagens negras simplesmente como negras. A autora faz literalmente o contrário, e achei isso genial.

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Os outros livros da autora, que eu eu definitivamente quero ler.

Além de personagens bem escritas, a narrativa da autora é espetacular. Confesso que com frequência me vejo pulando parágrafos desnecessários quando leio livros, mesmo livros que eu gosto, mas não pulei uma linha desse livro, que tem mais de 500 páginas, pois ele me prendeu de forma avassaladora. Talvez por isso eu tenha demorado um mês inteiro para ler... (por e-book!).

Por último, mas definitivamente não menos importante, amei conhecer uma voz tão diferenciada quanto a da Chimamanda. Creio que, fora este livro, o único livro de autor africano que eu li foi um livro de um autor da Angola. Amei conhecer mais sobre a Nigéria e sobre a vida de quem mora em Lagos, e absolutamente adorei essa perspectiva de uma imigrante africana nos Estados Unidos. Foi um livro excelente, e eu definitivamente irei ler outros livros da autora.

Vou deixar um vídeo maroto da autora falando do movimento Black Lives Matter.