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quinta-feira, 28 de maio de 2020

Alguns vídeos aleatórios dessa semana :P


Olá, galerinha cheirosa! Como vocês estão?

Nos últimos dias eu postei três vídeos no canal que não eram bem a vibe do blog, pois não eram necessariamente sobre livros. Porém, acho que seria estranho não colocá-los aqui, então irei postar.

O primeiro foi uma live que fiz na twitch (me segue lá! clique aqui!) me despedindo do jogo SuperstarBTS, pois ele será aposentado pela Dalcom. No vídeo eu mostro todas as minhas cartas, meus álbuns e meus achievements. Enquanto jogo algumas das minhas músicas prediletas, conto minha história com o Bangtan, desde como os conheci até o dia em que fui ao show no Allianz.


Depois eu fiz um vídeo desabafando sobre a lavagem cerebral dos bolsominions e comparo as fake news à forma como o mundo de 1984, do George Orwell, funciona. Se você apoia o biroliro, não tem espaço no meu blog ou no canal. O cara é um genocida fascista sem limites.


Por último, e talvez menos importante... Eu perdi tudo nessa quarentena e decidi raspar minha sobrancelha igual à do Jooheon, do Monsta X. Não ficou muito bom, mas também poderia ter sido pior. Pelo menos espero fazer alguém rir com esse vídeo kkkkkk


Falando em Monsta X, já viram Fantasia, o comeback do Monsta? Não??? O que você está esperando? Views em Fantasia!



Espero que gostem destes vídeos sem conexão ou sentido algum. Pensando bem... Um é um gameplay, o outro é sobre política, o outro é eu cometendo um erro fashion... Sei lá, é o efeito quarentena.

É isso por hoje, pessoal! Até o próximo post =D


sábado, 20 de outubro de 2018

A creepypasta que originou THE DREAM DOOR, a nova temporada de Channel Zero

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Olá galeres, tudo bom?

Eu queria trazer algo diferente para o Outubro do Terror 2018, então decidi traduzir e fazer uma leitura dramática da história "I found a hidden door in my cellar, and I think I've made a big mistake", do usuário u/v0ids do fórum r/nosleep, no reddit. Você pode ler a história original em inglês aqui.


Sobre The Dream Door

Para quem não sabe, o reddit é um site de fóruns. Há milhares de fóruns sobre vários assuntos, e um dos mais populares é o r/nosleep. Neste fórum, os usuários compartilham histórias, contos e relatos envolvendo fantasmas, espíritos, demônios e afins. É claro que as histórias são falsas, e a maioria é escrita por escritores amadores (muito talentosos!), mas uma das regras do fórum é que os membros tem que fingir que as histórias são reais, sem questionar furos ou apontar defeitos.

Essa história é uma das mais aclamadas do fórum, e o canal SyFy inspirou a quarta temporada de Channel Zero, uma antologia de terror, nesse conto. Anteriormente, a série já adaptara as creepypastas Candle Cove e A Casa Sem Fim, bem como outra série de postagens do r/nosleep, chamada "Search and Rescue in the Woods", que originou a terceira temporada. A nova temporada se chama The Dream Door, segue o trailer:


Não encontrei a história original traduzida para o português, por isso decidi fazer minha própria tradução. Essa história não pertence a mim, mas a tradução é minha. Segue a versão em texto:



Eu encontrei uma porta escondida no meu porão, e acho que cometi um grande erro
Original de u/v0ids, tradução de Nathália Lambert

         Minha esposa e eu vivemos na nossa casa por mais ou menos cinco anos, e durante todo esse tempo nós descemos para o nosso porão um punhado de vezes. Nossa casa é num estilo vitoriano antigo, e o porão é frio e úmido. Assim que nos mudamos nós guardávamos vinho e algumas bugigangas lá embaixo (isso por que minha esposa gostava da ideia de dizer para as pessoas que tínhamos uma “sala de vinhos”), mas era irritante ter que descer para o porão o tempo todo, então paramos de usá-lo assim. Apenas nós dois vivemos aqui, então não precisávamos realmente de um espaço extra.
         Algumas semanas atrás nos decidimos renovar o porão, talvez transformá-lo numa pequena academia ou algo do tipo. Então, no fim de semana, nós descemos e começamos a limpar tudo. O chão do porão é de pedra, mas as paredes eram cobertas de um papel de parede floral horroroso. Parecia velho para caramba, então nós concluímos que devia ter sido colocado ali décadas atrás. Começamos a remover o papel de parede, e foi então que encontramos a porta.
         Coberta pelo papel de parede, a porta parecia estar quase dentro da parede. Era de madeira simples, alguém havia removido a maçaneta, dando a impressão de ser uma superfície reta. Ficamos perplexos, pois nunca havíamos reparado na porta antes. Ela se misturava muito bem com o resto da parede. Nós estávamos bastante empolgados por termos encontrado uma porta secreta, então não reparamos em como a situação era estranha.
         Todas as casas da nossa rua tinham porões, então eu achei que aquela porta provavelmente levaria para a porta escondida do porão da casa ao lado. Minha esposa e eu decidimos ir conversar com nossos vizinhos de manhã e contar para eles sobre a porta, sugerindo que a bloqueássemos com tijolos ou algo do tipo (eu não me sentia muito confortável sabendo que as pessoas poderiam ter acesso à nossa casa por ali).
         Minha esposa tentou olhar pelo buraco deixado pela remoção da maçaneta, mas a escuridão era total do outro lado. Nós somos intrometidos, então usamos a lanterna do celular dela para dar uma espiada do outro lado. Minha esposa olhou primeiro. Ela ficou subitamente paralisada.
         “Essa porta não dá no porão da casa ao lado” ela disse lentamente, se afastando da porta. Franzi o cenho e peguei seu celular, decidindo checar o que havia do outro lado. Ao invés de ver um outro porão, havia uma escadaria de pedra, que descia. Não dava para ver muito longe apenas com a luz do celular, então eu trouxe meu farolete e conseguir abrir a porta.
         Olhamos para a parte baixa da escada com a luz do farolete. A escadaria era breve, e no final dela havia outra porta. Essa parecia muito velha, com painéis de madeira unidos por colunas de metal. Até tinha uma alça circular.
         A existência dessa escada e dessa porta não fazia sentido. Mesmo descendo, o começo dessa escadaria ainda deveria dar no porão da casa ao lado. Já estivemos no porão dos vizinhos para uns drinks antes. O porão deles era uma sala de jogos, com um bar e uma mesa de bilhar. Eu nunca percebi uma saliência que pudesse esconder essa escadaria, e não acho que o porão deles seja menor que o nosso.
         Minha esposa achou que deveríamos falar com os vizinhos antes de abrir a porta, mas eu estava cheio de curiosidade. Então, empunhando o farolete, desci as escadas. Tentei puxar a alça da porta, que estava muito rígida, mas me surpreendi quando a porta abriu facilmente. Joguei a luz da lanterna para dentro da porta. Do outro lado havia uma sala feita de concreto, bastante similar ao nosso porão, mas menor, com apenas uma entrada e saída, que era a própria porta que eu abrira.
         Sacudi o farolete e minha alma quase saiu do meu corpo. Vi um homem de pé na parede oposta à porta, de costas para mim. Estava completamente parado, usando um terno preto e um chapéu de bordas redondas. Ele estava parado de uma forma que me fez pensar que ele fosse um manequim, até que ele lentamente levantou um pé.
         Me virei, quase que voltando para as escadas, mas com a luz da lanterna nele. A luz era suficiente para iluminar seu corpo, mas o resto do quarto estava imerso nas sombras. Ele manteve o pé levantado para do ar, até lentamente dar um passo para trás, em minha direção. Seus movimentos não eram naturais, pareciam irregulares, como se ele não entendesse exatamente como se anda. Ele ficou assim por um momento, completamente parado, um pé para trás. Então levantou o outro pé com o mesmo movimento irregular. Desta vez, quando ele pisou, seu pé pareceu cair pesada e estrondosamente.
         O som me tirou do meu estado de choque, e eu pulei para trás. Assim que me movi, foi como se eu acordasse alguma coisa, e o homem subitamente começou a se mover rapidamente. Ele corria, andando para trás em minha direção, com as pernas se movendo de forma não natural. Escrevendo pode parecer engraçado, mas na hora foi a coisa mais aterrorizante que já vi. Eu nunca vira ninguém se mover daquela forma antes.
         Instintivamente joguei o farolete nele (talvez eu tenha pensado que poderia derrubá-lo ou algo assim. Eu sinceramente não sei o que pensei) e saí correndo escada acima, fechando a porta com força atrás de mim e voltando para o porão, fechando a porta dele também. Hesitei quando fechei a porta, segurando-a com o meu braço, tentando controlar minha respiração enquanto procurava entender o que eu havia presenciado.
         Ouvi o som da porta do porão se abrindo, e em seguida ouvi algo que parecia com o som de um amontoado de carne se arrastando pelo chão. Pensei ouvir uma espécie de chiado, um silvar, e nesse ponto eu corri para fora de casa, gritando por minha esposa. Ela estava do lado de fora, conversando com o nosso vizinho. Tomei-a pelo pulso e a puxei para o outro lado da estrada, gritando para que meu vizinho se afastasse da casa.
         Sem sequer esperar para explicar a eles o que eu vira, peguei meu celular e liguei para a polícia. Ficamos de pé no escuro, meu vizinho usando um roupão e chinelos, e todos olhávamos para a casa. Depois de alguns instantes, vi as luzes da cozinha, que eu deixara acesas, piscando. E então elas se apagaram completamente. Tudo que me lembro é que eu segurava a mão de minha esposa com força, olhando pelas janelas escuras e esperando que a polícia chegasse.
         Eles não encontraram ninguém na casa, mas a porta do porão estava aberta, bem como a porta dos fundos. Eles procuraram em nosso quintal, mas não acharam ninguém, nem mesmo pegadas ou sinais de presença humana.
         Trouxeram um time para checar a sala escondida que havíamos encontrado. Meu vizinho disse que não sabia da sala e que também não entendia como aquelas escadas e a sala poderiam existir, cabendo entre nossos porões. A polícia também não encontrou nenhuma explicação. Eu não queria voltar para lá nunca mais, então os policiais nos mostraram fotos das paredes da sala. O concreto estava marcado com símbolos, e eles encontraram o que parecia séculos e mais séculos de camadas de sangue seco. Eles enviaram os símbolos para o departamento de história da faculdade local, mas ninguém soube dizer o que eles significavam.
         O quarto foi selado, e nós nunca mais descemos para o porão. Acho que cometemos um grande erro naquele dia ao abrir aquela porta e entrar naquela sala. Acho que nós libertamos uma coisa naquele dia, algo que alguém havia trancado por um motivo, e eu não acho que aquilo seja uma coisa boa.
__________________________

Espero que gostem da história! Novamente, não é de minha autoria, eu apenas traduzi do inglês. Esse foi o primeiro vídeo nesse estilo de leitura dramática que fiz, então, por favor, me deem um feedback, com críticas ou sugestões para vídeos futuros.

Agradeço muito por assistirem ao vídeo. Um beijo, um queijo, e tenham um bom Outubro do Terror. Até o próximo post!


sábado, 18 de agosto de 2018

Resenha de "Ouça a Canção do Vento" e "Pinball, 1973" (Desafio Murakami #05)



Olá galeres, tudo bão?

E chegamos à quinta resenha do Desafio Murakami! Parece que já li muito, mas ainda há muitos livros desse jovem idoso (?) japonês que eu ainda não li.

A resenha de hoje é dos dois primeiros livros da Trilogia do Rato (que tem quatro livros). Os dois primeiros volumes foram publicados em uma só edição. Os livros são:

1) Ouça a canção do vento
2) Pinball, 1973
3) Caçando carneiros
4) Dance dance dance



A resenha dos demais livros sairá logo! Espero que estejam ansiosos =D

Se você gostou do vídeo, então deixe seu like! Se tem algo a dizer, escreva nos comentários! Se quiser ver mais resenhas do Murakami (e de outros autores) sinta-se à vontade para se inscrever. Até o próximo vídeo õ/



segunda-feira, 13 de agosto de 2018

Quinze Dias, de Vítor Martins


OOOooooolar pessoinhas, tudo bom com vocês?

Hoje trago uma singela resenha do livro Quinze Dias, do maravilhoso e divertido Vítor Martins. Espero que gostem! Se você tiver qualquer dúvida, comentário ou sugestão, não hesite em deixar um comentário neste vídeo!




[Insira aqui aquele vídeo da Lady Gaga fazendo elogios]

Eu estava no ponto de ônibus e muito entediada, então peguei meu celular e abri o app do Kindle para ler algo. Já tinha terminado um e-book no dia anterior e queria começar um novo. Sem saber o que eu estava fazendo, abri Quinze Dias e comecei a ler. Menos de 24 horas depois eu tinha terminado o livro e estava chorando de emoção na sala de casa.

Quinze Dias é um livro importante. É mais do que um YA LGBT+. É mais do que um livro adolescente com romance fofinho. É uma história poderosa, com personagens fortes, temas muito relevantes e, como se não bastasse, é um livro hilário. Sério, olharam estranho para mim rindo alto no ônibus uma boa dezena de vezes.

O livro conta a história de Felipe, um garoto adolescente que é gordo e gay. Ele sempre sofreu bullying na escola por ser gordo, por isso está muito feliz por estar entrando de férias. Agora ele poderá ficar moscando em casa por dias, sem se preocupar com nada. Infelizmente, seus planos vão por água abaixo quando sua mãe concorda em hospedar um garoto que mora no mesmo prédio cujos pais estão indo viajar por quinze dias. Pior: esse garoto, Caio, é a paixão platônica de Felipe desde que ele é criança.

Felipe e Caio não se dão muito bem a princípio, apesar de estarem tentando fazer amizade um com o outro. Mas 15 dias são 360 horas, e muita coisa por acontecer nesse tempo. Durante essas duas semanas conhecemos bem a mãe de Felipe (eu amo essa mulher), Caio e suas amigas Beca e Mel, a psicóloga do Felipe e Dudu, uma criança que tem aulas de arte com a mãe de Felipe. Só personagens espetaculares.

Felipe tem muitos problemas com auto-imagem e auto estima, e o autor soube trabalhar muito bem esse tema, colocando uma personagem que tenta se aceitar e falha (Felipe) e outra que se aceita, mas sofre por isso (Beca). A questão da homossexualidade foi espetacularmente bem abordada, pois temos quatro personagens LGBT+ nesse livro e todas são únicas e tiveram vivências diferentes. Aliás, adorei a parte em que Mel diz ter namorado um rapaz antes de namorar Beca e Felipe fica confuso. Ainda existe muita bifobia dentro da comunidade LGBT+, e gostei do autor ter abordado isso de forma leve e divertida. 

Esse livro foi lindo demais. Eu estou convencida de que eu e Felipe somos exatamente a mesma pessoa, e posso provar: somos gays, gordos, odiamos cheetos sabor requeijão, sabemos piadas de episódios específicos de friends e não temos crushs em gente hétero, pois já sofremos o suficiente e não precisamos disso também. Mas, brincadeiras à parte, Felipe é uma personagem muito relatable e genuína, um excelente protagonista. Sua jornada de 15 dias consiste nele tentando fazer amizades e aprender a se aceitar. Claro que 15 dias não curam uma vida de gordofobia e homofobia, mas em nesse tempo Felipe aprende muita, muita coisa. E eu, que li esse livro em apenas um dia, aprendi bastante também.

Alguns quotes excelentes:

“E, para ser sincero, acho que se o Caio fosse hétero eu não sentiria essa paixão toda por ele. Eu gosto de garotos que são claramente gays porque eu sou claramente gay e sonho com alguém que possa ser claramente gay junto comigo. O tipo hétero não me atrai muito”.

“Eu geralmente sou só uma consequência na vida dos outros. Nunca uma escolha”.

“Eu já assisti a comédias românticas e freqüentei a terapia por dentro demais para saber que minha felicidade não pode depender de outra pessoa. Mas ainda assim eu queria ter alguém que me chamasse de Vida e me convencesse a entrar na piscina e dissesse que me ama baixinho, de um jeito que só dá pra ouvir bem de perto”.

“Quando eu tinha oito anos minhas tias já insistiam em me colocar numa dieta. Quando você é mulher, ser gorda nunca é fofo. Você precisa ser sempre magra”.

“Às vezes eu olho a tela do celular de quem senta do meu lado no ônibus e julgo mentalmente se o papel de parede for uma foto da própria pessoa”.

“É difícil acreditar que alguém realmente gosta de você quando você passa a vida escutando que é um gordo nojento. É difícil acreditar que você pode ser feliz com alguém quando você passa a vida escutando que ser gay é errado e seu destino é queimar no inferno”.

“Acho que eu sempre me mantive tão ocupado tentando não ficar mal, que eu acabei esquecendo de tentar ficar bem”.

UM RECADO PARA O AUTOR, CASO UM DIA ELE LEIA ESSA RESENHA: Não existem músicas ruins do Linkin Park. Eu retiraria essa falácia do livro em caso de reedição.

Enfim, brincadeiras á parte, espero que tenham gostado da resenha e sintam vontade de ler o livro. Até o próximo post, seus lindos!


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segunda-feira, 6 de agosto de 2018

Resenha de "Kafka à beira-mar" (Desafio Murakami #04)


Ooooolá pessoinhas, tudo bom?

Hoje trago a quarta resenha do Desafio Murakami. Realmente espero que gostem! Esse livro é muito profundo, então fiz uma resenha escrita & uma resenha em vídeo. As resenhas se complementam, espero que curtam ambas!




“E você vai atravessá-la, claro. Falo da tempestade. Dessa tempestade violenta, metafísica e simbólica. Metafísica e simbólica, mas ao mesmo tempo cortante como mil navalhas, ela rasga a carne sem piedade. Muita gente verteu sangue dentro dela, e você mesmo verterá o seu. Sangue rubro e morno. E você vai apará-lo com suas próprias mãos em concha. O seu sangue e também o de outras pessoas E, quando a tempestade passar, na certa lhe será difícil entender como conseguiu atravessá-la e ainda sobreviver. Aliás, nem saberá com certeza se ela realmente passou. Uma coisa porém é certa: ao emergir do outro lado da tempestade, você já não será o mesmo de quando nela entrou. Exatamente, esse é o sentido da tempestade de areia”. – Prólogo.


Antes mesmo de eu saber qualquer coisa sobre o Murakami como escritor eu já havia ouvido falar de Kafka à Beira Mar. Não iria tão longe a ponto de dizer que é seu livro mais famoso – acho que 1Q84 é sua obra mais famosa – mas eu sempre tive curiosidade de ler esse livro. Mas ele é muito longo, um dos mais longos do Murakami, e eu acabei deixando essa ideia de lado por um tempo.



Quando finalmente comecei a ler o livro eu me deparei com uma história diferente de absolutamente tudo o que eu imaginara. O livro inverteu todas as ideias e pressuposições que eu tinha em relação à história. Não foi um livro perfeito, mas com certeza foi um dos livros mais inovadores e únicos que já li.



“Certos tipos de imperfeição tornam uma obra potencialmente mais atraente por causa da imperfeição – ao menos para certo tipo de artista”. – Capítulo 13.



O livro conta com duas narrativas paralelas que, exceto por alguns momentos extremamente esporádicos, praticamente não se encontram. 



Primeiramente somos introduzidos a um menino chamado Kafka Tamura. Ele está prestes a completar 15 anos e está planejando a sua fuga de casa. Kafka precisa fugir de casa pois seu pai, um escultor famoso, profetizou que ele estupraria a mãe e a irmã e mataria o próprio pai ao fazer 15 anos. Kafka quer fugir desse destino e, por isso, faz uma mala com tudo de que precisa e pega o primeiro trem para o lugar mais longe que consegue imaginar. Mas fugir da profecia pode ser bem mais difícil do que ele imagina, uma vez que sua mãe abandonou seu pai quando ele nasceu e ele não sabe para onde ela foi, ou qual é a sua aparência.



Claro que já vemos grandes semelhanças desse plot com a tragédia grega de Édipo Rei. Pela primeira vez fiquei feliz por ter lido essa peça na faculdade. Édipo é um garoto inteligente e forte, filho de simples agricultores. Quando atinge a maioridade, o oráculo local profetiza que ele está destinado a matar o pai e dormir com sua mãe. Horrorizado, Édipo decide abandonar sua família e se aventurar longe da cidade onde cresceu. Ele acaba derrotando um terrível rei, tomando seu lugar e se casando com a antiga rainha, uma mulher mais velha. Édipo faz tudo isso sem saber que ele, na verdade, era filho desse rei e dessa rainha, e que seus pais agricultores eram pais adotivos.



Claro que a história de Kafka Tamura é apenas distantemente baseada em Édipo, ainda que tenhamos vários dos elementos clássicos presentes na obra. A questão da imprevisibilidade e inevitabilidade do destino é muito trabalhada no romance – nossas personagens estão cercadas pelo fatalismo. Ao mesmo tempo, Murakami aborda de forma inovadora a questão da hamartia – a grande falha que leva um herói à sua ruína. Nas tragédias gregas era imprescindível que um herói tivesse uma falha fatal que fosse a responsável por sua queda. No caso de Édipo, sua falha era a ignorância de seu destino e sua vontade de viver de forma honesta a todo custo. Em Kafka Tamura, as coisas são bem mais complicadas.



“As pessoas são arrastadas para tragédias cada vez maiores em virtude de suas qualidades, e não de seus defeitos. Exemplo marcante disso é Édipo Rei, de Sófocles. A tragédia de Édipo não é produto da indolência ou da estupidez da personagem, mas de sua coragem e honestidade. O que, inevitavelmente, vem a ser uma ironia”. – Capítulo 21. 



Kafka consegue fugir com sucesso. Ele vai parar numa cidade distante na qual existe uma biblioteca dos sonhos, a Biblioteca Memorial Komura. Essa biblioteca é um centro de pesquisa para aqueles que estudam arte, história e literatura japonesa. Após se tornar amigo do bibliotecário e conseguir um lugar provisório para viver, Kafka pensa que não precisa mais se preocupar em ser o assassino de seu pai. Até o dia em que ele vê na televisão que seu pai foi cruelmente assassinado e que a polícia está em busca de seu filho desaparecido. Para piorar, Kafka teve um episódio terrível de amnésia no dia em que seu pai foi morto.



“Deuses gregos são seres mais míticos que religiosos. Ou seja, possuem os mesmos defeitos emocionais dos humanos. São temperamentais, lascivos, ciumentos e esquecidos”. – Capítulo 17.



A outra linha narrativa que se desenvolve é a do idoso Nakata. Nakata é minha personagem favorita do livro, talvez até mesmo seja uma das minhas personagens favoritas de toda a literatura do Murakami.



Nakata é um senhor de idade que, quando criança, sofreu um acidente terrível que o deixou com uma deficiência mental curiosa. Ele não consegue mais ler ou escrever, e seu raciocínio é limitado, mas ele ganhou a habilidade de conversar com gatos. Ele viveu uma vida simples como carpinteiro, contando com ajuda financeira dos irmãos e do governo. Agora que é aposentado, Nakata gasta seus dias vivendo de forma extremamente simples e procurando gatos perdidos. Ele é conhecido em seu bairro por sempre ser capaz de encontrar gatinhos que fugiram de casa, e muitas famílias o contratam quando seus bichinhos desaparecem. 



Até que, um dia, Nakata é contratado para encontrar uma gatinha chamada Goma. Goma desapareceu há alguns dias e duas crianças estão doentes por causa do desaparecimento. Os pais das meninas contratam Nakata, e ele aceita o trabalho com prazer. O problema é que, ao conversar com os gatos da vizinhança, Nakata parece ter se deparado com um mistério terrível: um homem de vestimentas curiosas tem sequestrado gatinhos de rua para fazer alguma espécie de crueldade. Segundo uma gatinha siamesa, Goma foi levada por esse homem.



Nakata é obstinado e decide encontrar o tal homem das vestimentas curiosas. Ele de fato acaba encontrando esse homem – que é uma das personagens mais curiosas e sem noção sobre a qual já li, mas não vou dar spoiler – e acaba se envolvendo numa trama misteriosa envolvendo uma roadtrip com um caminhoneiro e uma pedra de abertura, seja lá o que isso for.



“Pois saiba que eu gosto de gente diferente – disse o motorista. – Acho que, hoje em dia, é preciso desconfiar das pessoas que vivem normalmente nesse mundo”. – Capítulo 20.



O que mais me chamou a atenção nessa história é o fato de que Kafka e Nakata não têm absolutamente nada a ver um com o outro. Suas histórias mal se conectam, mas ainda assim eles parecem ser faces diferentes do mesmo aspecto.



Kafka é um garoto prodígio de 15 anos que lê muito, é extremamente corajoso e faz de tudo para fugir de seu destino. Nakata é um idoso deficiente que se encontra numa trama terrível por causa de sua bondade, e tem que seguir por um caminho que não quer para impedir que coisas mais terríveis ainda aconteçam. Enquanto Kafka foge de seu destino por vontade própria, Nakata corre em direção a ele sem ter escolha.



Ler Kafka à Beira Mar é quase como ler sobre o sonho de uma pessoa. Apesar de seguir uma lógica interna, a história não faz sentido. Uma das coisas que meu professor de literatura da faculdade mais falava é que as histórias não precisam ser verdadeiras, apenas verossímeis. Claro que dragões não existem, mas eles fazem sentido no universo de Game of Thrones e, por isso, a história é verossímil. Mas esse livro brinca com o oposto disso. A cada capítulo nossas personagens são introduzidas a situações cada vez mais absurdas, algumas cômicas, outras muito estranhas, a maior parte sem o menor sentido. Não são verossímeis, mas seguem uma lógica. Isso fez a experiência de leitura ser muito única.



O livro também é rico em simbolismos. Enquanto o pai de Kafka é visto como uma figura terrível e quase diabólica, a ideia de sua mãe é revestida de pureza e bondade. Como sua mãe esteve ausente durante toda sua vida, Kafka apenas demonstra elementos da personalidade do pai – apesar de ser controlado, Kafka tem um ideal violento dentro de si e da forma como ele encara o mundo.



Mas, como eu disse, o livro não é perfeito. Acho que o livro é longo demais. O Murakami poderia ter retirado alguns capítulos e o livro não perderia em nada seu sentido. Por exemplo, há diversos capítulos de Kakfa em que ele apenas fala de livros que ele leu, e capítulos de Nakata em que ele narra sua rotina de forma repetitiva. Esses capítulos não acrescentavam muito à história e deixavam a narrativa tediosa. Claro que isso era esporádico, e não afetou demais minha opinião final sobre o livro.



Pior que isso eram as cenas de sexo. Murakami é conhecido por escrever cenas de sexo estranhas e exageradas, mas esse livro extrapolou as barreiras. Compreendo que as cenas eram necessárias – quem diria, cenas de sexo que não são puro fanservice! – mas eu me sentia genuinamente constrangida lendo elas, principalmente em público. Lembro que li uma determinada cena de sexo na fila da lotérica e fiquei tentando esconder meu celular para ninguém espiar o que eu estava lendo.



Enfim, essa resenha está muito maior do que eu imaginava. Espero ter traduzido bem minha opinião sobre a história. Mesmo não sendo um livro perfeito foi uma leitura muito boa, que me levou numa jornada muito prazerosa. Terminei de ler um livro com um desejo de querer ler mais, mesmo o livro sendo tão longo.

___________________________________

É isso por hoje, galeres! Espero que tenham gostado do post. Já leram algum livro do Murakami? Tem interesse em ler? Deixe sua resposta nos comentários, e até o próximo post!


quinta-feira, 26 de julho de 2018

Resenha de "O Mau Exemplo de Cameron Post", de Emily M. Danforth


Oooooláá galeres, tudo bom?

Hoje trago para vocês a resenha desse livro LGBT+ maravilhoso, cheiroso e incrível. Espero que gostem!




Não esqueça de deixar um comentário, dar um laique e se inscrever no canal. 

Um beijo e um queijo =D

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segunda-feira, 16 de julho de 2018

La Caixita #59 | BOOK HAUL


Olá pessoinhas, como vocês estão?

Essa é mais uma La Caixita! Neste vídeo mostrarei que livros eu comprei e troquei nos últimos dois meses. Estou tentando maneirar nas compras mas trocar no skoob ainda faz parte da minha vida ksksksks


Espero que gostem do vídeo! Não esqueçam de deixar nos comentários ideias, dúvidas, sugestões e um breve ensaio sobre qual caneta de gel é melhor: a de glitter ou a de cheirinho?

Até o próximo post!

gukhopes:
“@hobioh @jhsoutro @bluesxde @velvethoseok @hobscupid @hobslover @hobislobster @cupidjohnny @94hixtape @glossdew @hopewor1ld
”

domingo, 8 de julho de 2018

Resenha de "O incolor Tsukuru Tazaki e seus anos de peregrinação" (Desafio Murakami #03)


Oooolá galeres, tudo bom???

Hoje trago o terceiro vídeo do Desafio Murakami, uma resenha marota de "O incolor Tsukuru Tazaki e seus anos de peregrinação". Estou foi o primeiro romance não sobrenatural/sem realismo mágico que eu li do autor, e foi uma experiência bem diferente. 




Espero que gostem do vídeo! Não esqueça de deixar um comentário maroto com ideias, sugestões e falando qual seu cavaleiro de bronze predileto e por quê é o Shiryu de Dragão.

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quarta-feira, 4 de julho de 2018

Bookshelf Tour 2018


Olá galeres, tudo suave na nave? Sussa na montanha russa? De boa na lagoa? 

Hoje eu trago o Bookshelf Tour de 2018! Ano passado fiz um vídeo super longo mostrando todos os meus livros e agora eu fiz de novo. Apesar de ter mais livros nesse vídeo, ele ficou mais curto(?). Acho que é o meu Agust D interior falando rápido demais. Enfim, espero que gostem do vídeo! Vou deixar aqui embaixo alguns links de vídeos e resenhas que eu menciono no vídeo.




Ah, no vídeo eu disse que meu último Bookshelf Tour fora em 2016. Eu devia estar na droga, pois não foi o caso ksksks

LINKS ÚTEIS:

É isso por hoje, galeres! Espero que tenham gostado do vídeo! Não esqueçam de deixar comentários com perguntas, ideias e sugestões. Um beijo e um queijo!

Olhá só um patinho com uma
perna prostética.

sábado, 23 de junho de 2018

Resenha de "Do que eu falo quando eu falo de corrida", do Haruki Murakami (Desafio Murakami #02)


Oi galeres, tudo bão?

Eis aqui a minha segunda resenha do Desafio de Leitura do Haruki Murakami! O livro da vez é a quase biografia "Do que eu falo quando eu falo de corrida". Espero que gostem!



As próximas desenhas do Desafio Murakami serão de "O incolor Tsukuru Tazaki e seus anos de peregrinação" e "Kafka à beira mar". Fiquem ligados ;)


sábado, 16 de junho de 2018

TOP 5 livros de realismo mágico


Olá galerinha, como vocês estão? Sussa na montanha russa? De boa na lagoa?

Hoje trago um vídeo um pouco diferente, no qual falo de 5 livros de realismo mágico que são tão bons que eu realmente acho que pessoas que não costumam ler com frequência podem gostar. Se você é um adolescente começando a adquirir gosto pela leitura ou uma pessoa mais velha querendo adquirir um novo hobbie, espero que este vídeo te ajude a encontrar livros interessantes!



Espero que gostem! Não esqueçam de deixar um comentário com seus pensamentos, ideias e sugestões. Um abraço, e até o próximo vídeo!

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Para quem vier reclamar que esses livros
não são da escola literária do realismo mágico,
apenas fiquem com esse gif do Jungkook.

quinta-feira, 7 de junho de 2018

Garoto Encontra Garoto vs. Dois Garotos se Beijando (Batalhas Literárias #01)


Olar pessoas, como vocês estão?

Estamos no mês de junho, o mês do orgulho e da visibilidade LGBT+, e por isso decidi falar de dois livros do David Levithan. Eu já falei sobre esse autor anteriormente aqui no canal, mas queria falar com mais profundidade desses dois livros em especial. Como eu não queria fazer uma resenha simples, tive a ideia da batalha literária!


No vídeo eu expliquei direitinho em que consiste esse batalha, e realmente espero que gostem desse formato! Se a resposta for positiva, definitivamente farei outros vídeos no mesmo estilo. 

Um beijo, um queijo, e até o próximo post! :*

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quarta-feira, 23 de maio de 2018

Minha Querida Sputnik, de Haruki Murakami


Oooolar galerinha, tudo bom cocêis?

Hoje trago a primeira (1ª) resenha do meu Desafio de Leitura do Haruki Murakami.

Neste vídeo eu falo um pouco sobre o plot do livro Minha Querida Sputnik (o primeiro livro que eu li do Murakami) e também compartilho quais foram minhas primeiras impressões e opiniões sobre a obra e o autor. E, para finalizar, explico por que é (e por que não é) uma boa ideia começar a ler Murakami por este livro.



Espero que gostem do vídeo! Não esqueça de deixar o seu comentário com ideias, dicas, sugestões ou qualquer outra coisa que quiser dizer. Caso tenha dúvidas sobre o livro, não hesite em deixar um comentário. Tento responder a todos os comentários.

Os próximos vídeos serão sobre outros assuntos, mas espero poder voltar a resenhar mais livros desse autor fantástico em breve. Até o próximo post :*

Eu também roxo você, Taetae! Vocês
assistiram ao comeback épico do BTS na
Billboard? Mais sobre isso no post dos 
melhores do mês. Adianto surtos.

quarta-feira, 16 de maio de 2018

Desafio de leitura do Haruki Murakami #00



Oooooolá, galeres!

Hoje trago para vocês um vídeo bem simples, no qual faço uma breve introdução à literatura do escritor contemporâneo japonês Haruki Murakami, bem como apresento meu Desafio de Leitura do Haruki Murakami, que consiste em ler todos os livros escritos por esse simpático triatleta e novelista.


Espero que gostem do vídeo! Não esqueçam de deixar comentários com ideias, críticas e sugestões. Um beijo, e até o próximo post!

Vocês viram os teasers
de Fake Love? VOCÊS
SENTIRAM O PODER DO JAY??
Não sobreviverei esse
comeback socorro mãe.